Notas do Editor

Seres humanos: a grande oportunidade

Retomando... uma visita guiada à Alemanha não vai mostrar os trechos do Metrô de Hannover com cheiro de urina – e isto é uma verdade que presenciei em 2010, e da qual os moradores locais, envergonhados, culpavam os imigrantes. Claro que revelar os problemas não é a intenção, quando a gente quer mostrar superioridade em alguma coisa.

Segundo ponto: não estamos atrasados, posso provar. Se eu te colocar, caro leitor, em um avião, convencer de que você está indo para a Alemanha e te despachar em Sorocaba (SP), na fábrica de impressoras da HP, você vai achar que está em uma fábrica alemã de altíssima tecnologia. Aliás, se o(a) levasse à mesma fábrica sorocabana em 2008, você já encontraria uma Indústria 4.0 – só que com um detalhe: o termo Industry 4.0 não teria sido criado ainda.

Então, veja, e este é o terceiro ponto. Se formos mais críticos, poderemos compreender novas oportunidades de negócios. Sim, acredite. Afinal, se os alemães – que pegaram para si a responsabilidade de planejar a Indústria 4.0 – estão falhando no que se refere ao ser humano, então, pode ser nesta frente de batalha que as empresas brasileiras têm oportunidade de se destacar e criar soluções que possam ser veneradas quando os alemães vierem visitar as nossas fábricas aqui no Brasil. Que tal?

"Ah, Perin, mas você está mexendo numa área em que não há respostas e nem imaginamos como encontrá-las", você pode estar pensando. Perfeito, eu concordo! Mas quando a máquina a vapor foi criada, ninguém tinha dito que seria fácil e, graças a ela, floresceu a Primeira Revolução Industrial. Ou seja, criar coisas que fazem sentido e servem para resolver problemas dá muito trabalho e faz até o cérebro suar.

Importante: se falarmos de seres humanos na Indústria 4.0 virar um tabu ou se ficarmos somente repetindo o velho lero-lero de que "novas profissões que nem imaginamos serão criadas" (cairão do céu?), acho que perderemos o bonde da História de novo. E mais: ficaremos todos mais do que desempregados, porque seremos "inimpregáveis". Ou nos tornaremos "seres inúteis", como define Yuval Noah Harari, historiador e escritor dos livros Sapiens e Homo Deus.

Resolver problemas é o que gera negócios.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.