RFID Estudos de Caso

Levi’s controla estoque com acerto próximo de 100%

O inventário de loja, que era feito uma vez por ano, em 12 horas e com 10 pessoas, passou a ser realizado, com tags RFID, uma vez por mês, em três horas e com duas pessoas

Por Edson Perin

14 de junho de 2019 - O uso bem-sucedido de identificação por radiofrequência (RFID) pela subsidiária brasileira da Levi’s, marca norte-americana de jeans, camisas, camisetas, cintos, bonés e calçados, já se tornou um caso de sucesso internacional na própria companhia. Graças à RFID, a Levi’s brasileira controla os estoques de produtos em suas lojas próprias, com praticamente 100% de exatidão. O projeto traz resultados positivos desde o início da operação com etiquetas inteligentes, o que passou a ser feito no segundo semestre de 2017.

Quando o pedido é separado no Centro de Distribuição (CD), o pallet vai para a área responsável pela etiquetagem RFID. Após finalizar, as caixas passam pelo portal de conferência, para validar 100% da nota fiscal, e quando chega à loja, a loja confere 100% dos itens enviados com o leitor RFID. Na loja, um recebimento de 2.000 peças leva em média quatro minutos, com precisão. "Tínhamos um acerto de inventario nas lojas de aproximadamente 67% [antes da RFID]. Após 18 meses de uso de RFID, esse número subiu para 99,78%", afirma Rui Araújo Silva, diretor geral da Levi’s no país.

Rui Araújo Silva, da Levi’s
A Levi’s Brasil resolveu testar a solução de RFID inicialmente em 16 lojas próprias, de um total de 78 pontos de venda no país. A decisão se deveu, principalmente, ao uso de um mesmo sistema eletrônico de gestão (ERP) nestes estabelecimentos, já que as outras 62 lojas que vendem produtos da companhia utilizam 12 ERPs diferentes. O inventário de loja, que era feito uma vez por ano, em 12 horas e com 10 pessoas, passou a ser realizado, com tags RFID, uma vez por mês, em três horas e com duas pessoas.

A implantação RFID da Levi’s Brasil segue o padrão passivo EPC UHF, da GS1, gerado a partir do código UPC padronizado pela Levi's internacional, que é utilizado tanto nas filiais do Brasil como nas parceiras de outros países. "A vantagem é que, ao ler o código, fazendo a conversão reversa, qualquer filial da companhia pode entender que se trata do UPC global, com o qual já estão habituadas as trabalhar", Sérgio Gambim, CEO da iTag, empresa responsável pela implantação da RFID na companhia multinacional.

A primeira prova de fogo da solução ocorreu no final de semana da Black Friday, no ano de 2017, quando a empresa computou 56% de aumento nas vendas em relação a 2016. O resultado se deveu a diversos fatores, incluindo o uso de RFID, de acordo com Silva. "Não podemos dizer que o bom resultado foi todo graças à RFID, mas sabemos que a tecnologia foi muito importante na conquista deste primeiro desempenho positivo após a sua implantação".