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Cenário da IoT para cidades inteligentes

Conheça as principais tecnologias utilizadas no mercado brasileiro de Internet das Coisas (IoT), aplicadas a serviços urbanos

Por Poliana Moraes

29 de abril de 2019 - A Internet das Coisas (IoT) atravessa atualmente um crescimento exponencial ao redor do mundo. No Brasil, o novo marco legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, instituído em 2018, favorece ainda mais este cenário. As áreas de investimento prioritários no país definidas pelo Plano Nacional de IoT são saúde, cidades inteligentes, agricultura e indústrias.

Cidades inteligentes necessitam de redes de comunicação de longa distância. No mercado brasileiro, observa-se que três tecnologias emergem e passam por uma rápida expansão. São elas LoRa, Sigfox e NB-IoT, que são oferecidas por diferentes operadoras.

A tecnologia LoRa foi desenvolvida em 2009 pela startup Cycleo, na França, e posteriormente foi comprada pela empresa americana Semtech. Em 2015, houve a padronização pela LoRa-Alliance. Esta tecnologia opera em frequência não licenciada com largura de banca no receptor entre 50 a 125kHz e uma taxa máxima de dados de 290bps a 50kbps, a qual tem possibilidade ilimitada de envio de mensagens por dia. Em áreas urbanas é possível transmitir dados até cinco quilômetros de distância e na zona rural, até 20 quilômetros.

No Brasil, a LoRa está disponível por meio da empresa American Towers e tem cobertura em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Campinas, Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos e Santos.

A tecnologia Sigfox foi desenvolvida em 2010 por uma startup, também da França, com o mesmo nome da tecnologia. Esta também opera em frequência não licenciada com largura de banca no receptor de 100 hertz e com taxa máxima de transferência de dados de 100bps com limite de 140 mensagens por dia. Em áreas urbanas é possível transmitir dados até 10 quilômetros de distância e, na zona rural, até 40 quilômetros de distância.

No país, a Sigfox está disponível por meio da empresa WDN e possui cobertura nas capitais, grandes regiões metropolitanas como eixo entre Rio de Janeiro e São Paulo e algumas cidades referência no agronegócio no Mato Grosso.

A tecnologia NB-IoT é baseada na tecnologia de rádio de banda estreita e foi padronizada pela 3GPP. Opera em frequência licenciada com largura de banca no receptor de 200Khz e uma taxa máxima de transferência de dados de 20kps com possibilidade ilimitada de envio de mensagens por dia. Em áreas urbanas é possível transmitir dados até 1 km de distância e na zona rural até 10 km de distância.

A operadora Claro planeja estar com 100% de cobertura nacional até final de 2019, a TIM finalizou seus testes em Santa Rita do Sapucaí em dezembro de 2018 e deve iniciar em breve suas operações e a Vivo executa testes no interior de São Paulo.

Neste contexto, a NB-IoT é mais indicada para aplicações que necessitam de altas escalabilidade e confiabilidade, porém que possam absorver o custo mais alto da tecnologia. Por outro lado, LoRa e Sigfox são indicadas para aplicações de mais baixo custo de operação e transmissão a maiores distâncias.

Poliana Moraes é engenheira eletricista, consultora em projetos de sistemas embarcados e distribuídos e mestranda em Inovação Tecnológica na Unifesp.

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