RFID Reportagens

Padronização é fundamental para IoT também no Brasil

Pedro Moreira, SmartX e ABRFID
Impostos menores? Quando?

Outra questão foi sobre as alíquotas de imposto para as empresas privadas que desenvolvem e até exportam tecnologia de RFID e IoT no Brasil. Será que os tributos são condizentes com um Plano Nacional de Internet das Coisas ou outra iniciativa de estímulo ao setor? De acordo com Thales Marçal Vieira Netto, do MCTIC, essa questão deverá ser contemplada no Plano Nacional de IoT. "O objetivo [do plano] é criar condições para o desenvolvimento e o fortalecimento do ecossistema de IoT no Brasil. Não só aspectos tributários serão levados em conta, mas também aspectos regulatórios, de investimento, financiamento e fomento, de capacitação de recursos humanos, da melhoria em geral do ambiente de negócios, dentre outros", completou Netto.

Do ponto de vista de quem paga impostos, como as empresas implantadoras de tecnologia, Pedro Moreira, da SmartX e ABRFID, diz que as alíquotas não são condizentes com a realidade internacional. "Nem mesmo para a importação de materiais para pesquisa e desenvolvimento, que são complexos e pagam altos impostos como se fossem para revenda, os valores são condizentes", ressalta Moreira. "Deveríamos possuir, como nos EUA, uma política simplificada para a importação de insumos e equipamentos destinados para a pesquisa e desenvolvimento". Segundo o empresário e empreendedor, existem políticas, mas não simplificadas. "O Estado brasileiro precisa entender que as grandes exportações começam com pequenas importações".

Na visão de Carlos Ohde, do FIT, os impostos de importação são muito altos e isso precisa ser revisto para que o país possa competir internacionalmente com outras grandes potências. "É necessário que possamos usar o que já foi desenvolvido por outros países a preços competitivos e que as nossas inovações e desenvolvimentos tecnológicos partam desse ponto atual da tecnologia", defende. "O estímulo à indústria nacional é importante, mas não pode ser um impeditivo para uso de tecnologia estrangeira".

Ricardo Rivera de Souza Lima, do BNDES
Dinheiro público

No entanto, apesar de o Plano Nacional de IoT ainda não estar concluído, o BNDES liberou R$ 13 milhões para a empresa InMetrics desenvolver uma plataforma de IoT. Segundo o banco, os recursos correspondem a 70% do custo total do projeto. Consultado sobre a transação, Ricardo Rivera de Sousa Lima, gerente setorial do BNDES e responsável pelo Plano de IoT na instituição, respondeu que "é muito importante entender que o banco tem suas linhas de apoio abertas para qualquer empresa inovadora, que gere empregos locais de qualidade e ajude a melhorar a competitividade da economia brasileira, como é o caso da Inmetrics. Isso é e será feito independentemente do estudo".

Rivera prosseguiu: "do ponto de vista do financiamento, o plano dará um senso de priorização para as verticais selecionadas, possivelmente com alguma ênfase (melhores condições, esforço de fomento etc.) para empresas dessas verticais - mas ainda não podemos precisar ao certo o que será. Mas o apoio horizontal para inovação vai continuar existindo independente do Plano de IoT, sem prejuízo para o país (aliás, quanto mais inovação, melhor)". E completou: "agora, é importante destacar que o Plano vai muito além do financiamento. Há a agenda regulatória, formação de RH, apoio a construção e reforço de ecossistemas de inovação etc."