RFID Reportagens

Padronização é fundamental para IoT também no Brasil

Segundo Netto, a padronização global é uma necessidade para o desenvolvimento da indústria, uma vez que permite alcançar escala e oferecer produtos com preços mais acessíveis. "Portanto, a adoção de padrões é um requisito fundamental para o desenvolvimento da IoT como um todo", defendeu. "Ao adotar padrões globais, o Brasil será beneficiado com ganhos de escala que ajudarão a viabilizar os casos de uso desse conceito no país".

Roberto Matsubayashi, diretor técnico da Associação Brasileira de Automação – GS1 Brasil, responsável pela manutenção do padrão mundial de identificação por radiofrequência, o EPCglobal, diz que a questão dos padrões globais deve ser avaliada criteriosamente. "Consideramos que os padrões que definem especificações técnicas de interconexão e interoperabilidade são de suma importância, pois são aqueles que irão permitir às empresas e consumidores adquirirem equipamentos e soluções que funcionam uns com os outros universalmente, seja em uso no Brasil ou em outras partes do mundo – como já ocorre com a Internet ou com o smartphone operando em 3G ou 4G".

Carlos Ohde, do FIT
O diretor-geral do Flextronics Instituto de Tecnologia (FIT), Carlos Ohde, diz que ter padrões globais para compartilhamento de dados permite interoperabilidade, transparência e confiabilidade ao longo da cadeia, fundamentais para desencadear a Internet das Coisas. "Padrões permitem às indústrias identificar, capturar e compartilhar dados", explica Ohde. "Uma vez capturada, a informação sobre esses itens pode ser compartilhada globalmente com parceiros de negócios, para aumentar a eficiência, velocidade e visibilidade dos dados".

Para Ohde, uma linguagem global, confiável, que permita a interoperabilidade de comunicação e o uso responsável dos dados é essencial para conectar na nuvem os mundos físico e digital da Internet das Coisas. "Isto permite a identificação de objetos, ativos e sua localização, atendendo a uma expectativa de consumidores e do mundo de negócios em que todas as coisas estejam conectadas, mas com alto grau de rigor e confiança de sua veracidade", e acrescentou: "manter os padrões globais permite que o Brasil participe do jogo internacional e tenha acesso ao que existe de mais avançado, mantendo a indústria competitiva. Grande parte do valor a ser capturado por IoT pressupõe a interoperabilidade do sistema. As cadeias de suprimentos são globais. Definir padrões locais poderia prejudicar a evolução. É como se definíssemos que os containers para o Brasil devessem ter dimensões diferentes do resto do mundo".

O diretor de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria de Identificação por Radiofrequência (ABRFID), Pedro Moreira, sócio e fundador da brasileira SmartX, que implanta soluções de negócios com IoT no Brasil, Canadá e Estados Unidos (leia mais em Drone reduz tempo de inventário de dias para minutos), diz que a padronização global é tudo para que as "coisas" desta Internet se falem. "Alterar estes padrões globais é ir contra o conceito da chamada Nova Economia Compartilhada, onde recursos da velha economia são compartilhados ao invés de investirmos criando novos e escassos recursos".