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Uma nova ferramenta para empresas de eletrônicos

A Intel conectou RFID aos chips de computadores, tablets e outros dispositivos, abrindo margem para diversas novas aplicações desde a fábrica, passando pela cadeia de suprimentos até o varejo

Por Jill Gambon

20 de julho de 2012 - A Intel Corp. já ocupava o posto de maior fabricante mundial de microprocessadores, quando, em 2005, começou a procurar maneiras de diferenciar seus produtos. A empresa pensou que poderia melhorar a segurança e funcionalidades do computador, adicionando um "cofre seguro" para armazenar uma grande variedade de informações, como identificação pessoal e registros de produção. Em abril deste ano, no RFID Journal LIVE! 2012, a Intel lançou uma plataforma que permite criar um cofre seguro e muitas outras aplicações, como bloqueio de dispositivos eletrônicos para impedir o roubo durante o transporte, para personalizar os dispositivos sem ter de retirá-los das caixas seladas no ponto de venda etc. “A plataforma promete ter um impacto de grande alcance sobre a indústria de eletrônicos de consumo, desde o fabricante ao varejista”, diz Shahrokh Shahidzadeh, executivo sênior de tecnologia da Intel, que lidera o projeto.

A característica fundamental da nova plataforma é o chip RFID UHF embutido na placa-mãe do dispositivo e ligado diretamente ao microprocessador. O chip é projetado com memória extra dedicada ao processador, criando o que a Intel descreve como "processador de armazenamento seguro", onde os dados podem ser armazenados com segurança e ativados quando necessário. Os dados sobre o chip podem ser gravados ou acessados pelo processador Intel através de um circuito inter-integrado (I2C), padrão da indústria de semicondutores, e de um leitor RFID portátil externo ou fixo.

O chip RFID é incorporado na placa de um dispositivo e ligado diretamente ao microprocessador (Foto: Tom Hurst / RFID Journal)
A Intel forneceu os projetos de referência para a nova plataforma aos fornecedores de hardware que estão fazendo tablets baseados no Windows 8, que devem chegar ao mercado ainda este ano.

Quando a Intel começou seu projeto de cofre seguro, a RFID era considerada principalmente uma tecnologia de cadeia de fornecimento, mas a empresa reconheceu que os chips RFID eram fundamentalmente chips de memória, com uma interface agregado à RF (radiofrequência). A Intel estava procurando uma maneira de adicionar memória segura perto do processador para armazenar dados de identificação de dispositivos críticos e os chips RFID surgiram como uma solução viável. A Intel decidiu adicionar uma interface ligada a um chip de RFID, com o chip anexado a uma placa de circuito se comunicando diretamente com uma unidade de processamento central do computador.

A empresa escolheu RFID UHF para o projeto devido ao consumo de energia relativamente baixo e ao longo alcance de leitura. Além disso, o chip de memória pode ser programado várias vezes. Como o projeto avançou, ficou claro que um novo chip teria de ser criado para atender os requisitos emergentes. O chip teria de ter memória dedicada para o processador e capacidade de acessar a memória sem fio. Ele também teria de ser escalável, para que pudesse ser usado em tudo, de telefones celulares a servidores.

A Intel trabalhou com várias empresas de semicondutores no projeto. Para o desenvolvimento de chips, a empresa fez uma parceria com a Impinj, fabricante de chips de UHF e leitores, com sede em Seattle. As duas empresas compartilham uma história comum RFID: em 2008, a Impinj comprou a divisão RFID da Intel.