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Chip do Boi da Ceitec vai muito além do uso em animais

O chip de baixa frequência (LF) da empresa gaúcha pode ser encapsulado para controle de acesso, rastreamento de contêineres, veículos, embalagens, entre outras aplicações

Por Edson Perin

6 de julho de 2012 - O dispositivo semicondutor desenvolvido pela empresa gaúcha Ceitec no Brasil e que foi apelidado de Chip do Boi pode ser utilizado em uma infinidade de aplicações que vão muito além de rastrear bovinos e outros animais em seus locais de criação. Este chip brasileiro de RFID (identificação por radiofrequência), um dos modelos desenvolvidos pela Ceitec com este tipo de tecnologia, ganhou fama após passar a ser testado com sucesso como alternativa para o rastreamento do gado brasileiro no pasto (leia mais em Experiência positiva estimula uso de RFID para rastrear gado no Brasil), uma exigência de países para onde o Brasil exporta carne bovina, especialmente da Europa.

Reinaldo de Bernardi, da Ceitec
O simpático apelido de Chip do Boi, no entanto, esconde uma enorme amplitude de utilizações que este dispositivo genuinamente nacional pode realizar – e por um custo bem mais baixo do que os seus concorrentes importados, como garante Reinaldo de Bernardi, Superintendente de Desenvolvimento de Produtos e Negócios da Ceitec, empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que desenvolve e produz circuitos integrados para identificação por radiofrequência e aplicações específicas, dentro de padrões internacionais.

Por ser um chip de baixa frequência (LF), de 134,2 KHz, o dispositivo pode ser recomendado para utilização em soluções como controle de acesso de pessoas, rastreamento veicular ou de contêineres de carga, identificação de embalagens com conteúdos líquidos etc. (leia mais sobre as aplicações das diferentes frequências dos chips de RFID em Diferenças entre as frequências do sistema RFID passivo).

“Imagine uma embalagem plástica com muito líquido dentro, por exemplo, numa cadeia de suprimentos que necessite realizar o controle de produtos químicos: esta é uma das situações em que o nosso chip pode ser empregado”, explica Bernardi. “Já existe uma empresa fazendo testes preliminares com botijões de gás”, acrescentou, dizendo que “o nosso chip tem potencial para competir no mercado internacional, inclusive em termos de custos”.

Assim como há empresas que fabricam brincos para serem usados em bois com o chip da Ceitec embutido, outras companhias podem desenvolver outros tipos de encapsulamentos para inserir o dispositivo para uso em outras aplicações, como, por exemplo, crachás para entrada e saída em edifícios. “O componente [chip] é o produto final, já aprovado para utilização. Uma empresa, quando vai usar o chip, tem de fazer o componente de plástico – o brinco para o boi, por exemplo. Mas o chip é o mesmo. Cada produtor de brinco, inclusive, tem de fazer testes com a sua técnica de encapsulamento para ver se atende às questões mecânicas e de performance”, afirma Bernardi.