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Instituto Médico Legal de Maryland, nos EUA, ampliará uso de RFID

Depois de usar tags passivas UHF e leitores EPC Gen 2 para rastrear documentos de papel, o órgão público planeja agora utilizar pulseiras RFID em corpos humanos

Por Claire Swedberg

9 de janeiro de 2012 - Quando um funcionário do Maryland Office of Chief Medical Examiner (OCME), equivalente ao Instituto Médico Legal (IML) brasileiro, solicitava os documentos referentes a um corpo humano mantido nas instalações da cidade de Baltimore, a papelada poderia facilmente ter sido extraviada. Durante o período de 72 horas em que uma pessoa falecida permanece no OCME, uma pasta contendo todos os documentos de papel move-se por pelo menos três ou quatro locais diferentes. A pasta é usada por diversas pessoas, incluindo funcionários do OCME.

Para melhor gerenciar os seus arquivos – atualmente, com cerca de 30 mil documentos –, o OCME pesquisou sistemas de localização em tempo real (RTLS) por cerca de quatro anos. Os membros da equipe consideraram várias soluções antes de selecionar a FileTrail, que emprega tags RFID de UHF EPC Gen 2 e fornece uma plataforma de software conhecida como FileTrail Professional, para gerenciar dados com 11 leitores diferentes.

“Como o sistema está funcionando muito bem, o escritório pretende começar agora a utilizá-lo para controlar os corpos humanos, a partir de 2012”, diz Michael Eagle, diretor de tecnologia da informação do OCME. Com os dados sobre a localização de cada cadáver, o escritório vai saber se o corpo foi mantido fora da refrigeração e por quanto tempo – uma informação importante para, por exemplo, o envio de órgãos para transplantes.


Michael Eagle, diretor de TI do OCME


Quando uma pessoa falecida chega ao escritório do médico legista, um funcionário da agência monta uma pasta que inclui registros de papel sobre a identidade do indivíduo, a hora de chegada e todos os procedimentos previstos, como o exame por um médico para determinar a causa da morte e, quando determinada, a retirada de órgãos para doação, assim como os relatórios sobre estes procedimentos.

O acesso à pasta é permitido a várias pessoas, incluindo funcionários do OCME, médicos, patologistas forenses e advogados ou outras autoridades. Apesar de um corpo permanecer no local por um máximo de 72 horas, seu arquivo circula de um andar para outro e muitas vezes a um terceiro ou quarto andar, o que amplia os riscos de extravio. "Nós precisamos acompanhar o fluxo dos documentos", explica Eagle. “Sem uma solução RTLS, teríamos de adivinhar onde o arquivo foi colocado ou com quem está”.

Como é fundamental que os corpos se mantenham a uma temperatura baixa, funcionários da agência monitoram o tempo em que cada pessoa falecida chega na instalação e quando saiu, por exemplo, para uma autopsia. Em caso de dúvida sobre o tempo em que um determinado corpo permaneceu sem refrigeração, seus órgãos não podem mais ser doados.

De acordo com Eagle, o escritório avaliou uma grande variedade de soluções RTLS para o gerenciamento de arquivos e descobriu que todas eram tipicamente proprietárias – ou seja, a tecnologia teria de ser usada obrigatoriamente com equipamentos da mesma empresa. Porém, ele e seus colegas queriam um sistema aberto que pudesse ser expandido e compartilhado com outras agências governamentais. Assim, eles selecionaram o FileTrail, que utiliza leitores fixos e portáteis fornecidos pela Motorola Solutions e tags da Alien Technology.

O OCME inicialmente considerou apenas arquivos de rastreamento, diz Darrell Mervau, presidente da empresa de RFID. Porém, ao discutir a solução com a FileTrail, a agência percebeu que a tecnologia poderia também ser usada para monitorar os próprios corpos. Em última análise, no entanto, optou por começar um projeto de rastreamento de arquivo e gastar cerca de um ano para avaliar o quão bem ele funcionou.