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Grupo norueguês rastreia carne super congelada

O projeto foi concebido para estudar a capacidade de o RFID rastrear pernas frescas de carneiro acondicionadas a baixas temperaturas, durante o transporte por caminhão do matadouro até o Centro de Distribuição

Por Claire Swedberg

14 de dezembro de 2011 - A prática de super refrigeração de alimentos abaixo do ponto de congelamento, para impedir o crescimento de bactérias, é bastante comum com os peixes, de acordo com Geir Vevle, CTO do fornecedor de tecnologia Hrafn, da Noruega. Embora o mesmo processo também possa parar o crescimento de bactérias em carnes (estendendo assim a durabilidade do produto), poucos produtores ou empresas da cadeia de suprimentos dos super-frios a utilizam, porque o intervalo de temperatura a se controlar é muito apertado.
Ou seja, as temperaturas devem permanecer abaixo de 0 graus Celsius, mas não podem descer de -1,7 graus Celsius, segundo Vevle, porque a carne pode degradar. Garantir que as temperaturas permaneçam dentro desses perímetros pode ser difícil. Portanto, a Hrafn, juntamente com matadouro Fatland Ølen e da empresa de pesquisa Sintef, testou recentemente o uso da tecnologia RFID para rastrear as temperaturas das carnes super refrigeradas, que são transportadas do matadouro para um Centro de Distribuição (CD), na Noruega.

O piloto foi financiado pelo Conselho de Pesquisa do governo norueguês, como parte de um projeto para melhorar e garantir o processamento de alimentos de origem marinha e agrícola dentro do país. O projeto KMB planeja usar a tecnologia de rastreabilidade para melhorar a higiene, as cadeias de distribuição a frio e de alimentos frescos.


Tag RFID, com sensor, instalada no teto do caminhão e outras quatro em cada parede lateral detectam variações de temperatura em todo o veículo

O sistema de monitoramento de temperatura com a tecnologia RFID foi desenvolvido para a Sintef pela Hrafn, incluindo as tags RFID com sensores de temperatura (passivas e de ultra-frequência UHF, baseadas no EPC Gen 2 RFID Tag, e etiquetas 2D com código de barras, bem como o software baseado no padrão EPCglobal, EPC Information Services (EPCIS).

O teste investigou se as medições de temperatura regulares podem ser transmitidas em tempo real pelo RFID com uma conexão de telefone celular, a partir de um caminhão transportador de produtos do matadouro para a CD. O estudo constatou que, de fato, as informações poderiam ser coletadas por um sistema de EPCIS, mas que a maioria das tags não foram lidas pelo interrogador, porque os sinais não foram capazes de passar através da carne embalada densamente dentro do caminhão.

Após o abate e processamento do cordeiro em Fatland, a empresa de super refrigerados leva a carne ao Centro de Distribuição de Trondheim. Para o piloto, um caminhão equipado com um leitor RFID e um computador ligado à unidade GPS e a um rádio GSM puderam transmitir dados através de uma ligação celular para o software Hrafn, com base em EPCIS. O objetivo foi testar a capacidade de o sensor de etiquetas verificar se a carne estava armazenada na temperatura desejada (entre 0 e -1,7 graus Celsius) dentro do caminhão refrigerado, para suportar a jornada de 14 horas até Trondheim.


Sondas inserem as tags com sensor no interior da carne para medir a temperatura do produto durante o transporte


Hrafn e Sintef passaram dois meses estudando a carne refrigerada e os processos de transporte, testando a colocação de etiquetas em carnes e dentro do caminhão, o que depende do aplicativo de gerenciamento de dados EPCIS. O grupo selecionado para fornecer o hardware de RFID foi o CAEN RFID, incluindo dois modelos de tags semi passivas UHF EPC Gen 2, o sensor A927Z, um logger de temperatura com 16 kilobytes de memória (suficiente para gravar 8 mil leituras de temperatura) e os A927ZET, que tem uma sonda externa para medir a temperatura interna de uma perna de carneiro.

Para o teste, realizado em 23 de novembro, o caminhão foi refrigerado com dois ventiladores de ar frio. As nove etiquetas de RFID com sensores de temperatura A927Z foram instaladas no interior do veículo (uma no teto e quatro em cada lateral), a fim de detectar a variação de temperatura nas áreas localizadas perto ou mais longe dos ventiladores. A Hrafn também inseriu as sondas de quatro etiquetas A927ZET em quatro pernas de carneiro para testar as flutuações de temperatura dentro da própria carne.