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Experiência positiva estimula uso de RFID para rastrear gado no Brasil

Depois de um piloto bem sucedido, o setor pecuarista considera ampliar o rastreamento de rebanhos com tags nacionais de RFID, apelidadas de "Chip do Boi"

Por Jennifer Zaino

5 de dezembro de 2011 - O Brasil tem um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças, e exporta cerca de 2 bilhões de reais (US$ 1,3 bilhões) em carne por ano. A indústria eletrônica no Brasil, por outro lado, representa apenas 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Mas isto pode estar prestes a mudar.

No início deste ano, a empresa pública brasileira CEITEC S.A. (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada), relatou que seu chip de RFID nacional, conhecido como o Chip do Boi, completou com sucesso um teste de campo de 12 meses conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O estudo envolveu o rastreamento de 2.500 bois em fazendas dos estados de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, usando tags em brincos com o chip RFID.


Chip do Boi: RFID desenvolvido no próprio país


Isso foi uma notícia boa, tanto para os pecuaristas brasileiros quanto para a indústria emergente de semicondutores do país. “Atualmente, os agricultores no Brasil devem identificar o seu gado, mas não há nenhuma obrigação de que eles utilizem RFID para fazê-lo”, diz Marcelo Lubaszewski, superintendente de design e relações institucionais da CEITEC. “No entanto”, acrescenta, “o governo recomenda RFID como uma forma eficiente para apoiar os requisitos do cliente”. A razão para o uso de RFID é a segurança, a qualidade e a exportação da carne, segundo ele. "Os clientes, em geral, querem saber tudo sobre o que estão comprando e a melhor maneira de acompanhar a história de gado é por algum tipo de meio eletrônico".

Modernizar a economia tem sido um foco para a nação desde o início dos anos 2000. "O governo decidiu que era realmente importante incentivar o desenvolvimento desta indústria [de semicondutores] no Brasil", diz Lubaszewski. O Chip do Boi é o primeiro circuito integrado (CI), desenvolvido e fabricado inteiramente no Brasil. Além do mais, acrescenta, a fábrica da CEITEC é a primeira fábrica local de CI na América Latina.

Monitorar o gado com o Chip do Boi promete ajudar a indústria da pecuária a tornar-se mais eficiente em seus esforços para competir no mercado global – países da Europa só importam carne que é rastreável – e alavancar as ambições de semicondutores do país. "O principal desafio para nós, olhando para o produto, agora, é construir esse mercado", diz Lubaszewski. Outros países com indústrias de carne bovina significativas já estavam avançando; o Uruguai, por exemplo, lançou um programa em 2006 para exigir que todos os seus 12 milhões de bovinos fossem rastreados com as tags RFID. Austrália e Canadá têm mandatos semelhantes.