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Tecnologia identifica ovelhas e cordeiros

Pesquisadores testam RFID de empresa da Austrália para reconhecer ovelhas e cordeiros, classificando rebanhos com base em suas atividades

Por Claire Swedberg e Edson Perin

12 de julho de 2018 - Embora todo o trabalho rural seja intensivo em mão-de-obra e, de muitas formas, imprevisível, o desafio é especialmente sentido pelos criadores de ovelhas. Os rebanhos de lã exigem uma ampla variedade de pastagens para prosperar e, por esse motivo, são difíceis de conter. Isso faz com que o controle sobre a criação, especialmente quando se trata de entender linhas genéticas, seja uma ciência imperfeita para os agricultores. Ovelhas dão à luz nos campos, e tanto as ovelhas quanto os cordeiros se movem livremente pelas pastagens. Os pecuaristas devem encontrar maneiras de alavancar as ovelhas mais produtivas e tornar a produção de carne mais lucrativa.

No Brasil, rebanhos de bovinos têm sido rastreados com a mesma finalidade, especialmente para a produção de carne para exportação, atendendo a normas estipuladas pelos compradores. Também está sendo usada a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) para rastrear a carne após o abate, garantindo sua procedência e mesmo para controlar o processo de transporte e armazenamento dentro de grandes frigoríficos. Uma das maiores empresas do mundo neste segmento, mas que pede para não ser identificada, utiliza RFID até para controlar o acesso de funcionários aos grandes refrigeradores.

Reid Redden
No caso dos ovinos, a RFID está sendo empregada para ajudar os produtores a identificar as ovelhas mais produtivas, com foco em uma produção mais lucrativa. A Texas A&M AgriLife Extension está testando um sistema baseado em RFID de baixa frequência (LF), de 125 kHz, fornecido pela empresa australiana Sapien para combinar ovelhas com cordeiros e, assim, entender as características resultantes.

O sistema emprega painéis de leitura RFID em piquetes através dos quais os ovinos atravessam em fila única para acessar água. O software captura e analisa o comportamento das ovelhas enquanto passam e, assim, as identifica. Essa informação permite aos criadores prever as ovelhas que produzirão a prole mais saudável e produtiva, diz Reid Redden, professor da Texas A&M e especialista em ovelhas e cabras da AgriLife Extension, em San Angelo.

A tecnologia RFID já está sendo usada para identificar o gado e obter informações sobre a saúde dos animais. Em Victoria, na Austrália, o rastreamento de rebanhos por RFID se tornou obrigatório em 2003, quando a Sapien foi fundada, diz Rob Wyld, diretor administrativo da empresa. A companhia se concentrou em soluções para ajudar os agricultores a obter benefícios adicionais com as etiquetas RFID que foram obrigados a aplicar em bovinos, caprinos, ovinos e outros animais.

Os criadores de ovelhas normalmente têm pouca visibilidade sobre quais fêmeas deram à luz a quais cordeiros. Isso importa em um nível genético, diz Wyld, porque uma ovelha que tenha gêmeos pesando 30 quilos pode ser uma melhor reprodutora do que uma que gere um único cordeiro de 20 quilos. Sabendo quais de suas ovelhas são as mais saudáveis e produtivas, os agricultores podem gerenciar melhor quais animais pretendem reproduzir novamente.

Tradicionalmente, os fazendeiros colocam os cordeiros em uma área separada de suas mães e etiquetam os cordeiros com números de série impressas, a fim de relacioná-los a uma ovelha específica próxima da qual são observados. A Sapien usa sua solução neste processo de trabalho intensivo com o PedigreeScan. O software e leitor permitem que os agricultores entendam, com relativa certeza, quais cordeiros as ovelhas geram, diz a Wyld. O leitor PedigreeUnit da Sapien é uma alternativa a outros leitores prontos para uso, explica, a maioria dos quais pode ser incômoda para os criadores.