RFID Noticias

Bicicletas viram objetos da Internet das Coisas

Em Londres, um serviço de delivery usa sensores de poluição do ar para compreender a exposição dos ciclistas às emissões de gases nocivos

Por Mary Catherine O'Connor

12 de agosto de 2016 - Um mensageiro de bicicleta tem normalmente uma quota de riscos em seu local de trabalho, incluindo buracos, motoristas de táxi irritados e caminhões com grandes pontos cegos. Mas uma das ameaças mais insidiosas é o ar que os ciclistas respiram, o que, em corredores urbanos congestionados, pode conter altos níveis de dióxido de nitrogênio (NO2), monóxido de carbono (CO) e partículas emitidas pelos motores a diesel, que podem causar problemas de saúde após a exposição por períodos prolongados e piorar doenças respiratórias existentes, como a asma.

Os mensageiros de bicicleta em Londres, onde os níveis de NO2 ao longo da Oxford Street estão entre os mais altos do mundo, são especialmente vulneráveis a estes riscos de saúde ambiental. Londres, juntamente com as cidades inglesas de Birmingham e Leeds, não conseguiram cumprir os limites de segurança de NO2, definidos pela União Europeia, por cinco anos. E um estudo de 2015 realizado pela King's College London estima que a exposição a longo prazo à poluição do ar leva a 9.500 mortes prematuras naquela cidade a cada ano.

Alguns dos mensageiros da Gophr, segurando etiquetas CleanSpace
A fim de quantificar e controlar a poluição do ar a que estes ciclistas estão expostos, um serviço de entrega com base no Reino Unido chamado Gophr planeja equipar seus ciclistas de Londres com sensores e etiquetas de rastreamento. As tags de sensores estão sendo fornecidos pela CleanSpace, uma empresa que está construindo um mapa para medir a poluição do ar em Londres. A CleanSpace é de propriedade da Drayson Technologies, empresa de tecnologia fundada por Lord Paul Drayson, um empresário e político britânico. As tags com sensores são alimentadas por um módulo de de coleta de energia por RF feito pela Freevolt, também da Drayson Technologies.

"Um bom mensageiro anda de bicicleta por 60 ou 70 milhas por dia", diz o fundador da Gophr, Seb Robert, de modo que a poluição do ar "é um problema enorme para eles". Além disso, Robert diz que equipar ciclistas com sensores da poluição do ar em vez de colocar os sensores em um meio de transporte que funcionam com combustíveis fósseis, tais como veículos ou motocicletas, ajuda a Gophr a entender a poluição do ar sem contribuir para ampliá-la.

A tag CleanSpace contém um rádio Bluetooth que é usado para emparelhar o dispositivo ao smartphone do mensageiro (courier). A etiqueta contém um sensor de monóxido de carbono e um termistor. Ele não mede NO2 ou partículas em suspensão no ar, mas, de acordo com uma reportagem no The Guardian, os níveis de CO são usados "como um substituto para os poluentes de veículos, tais como partículas finas".