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Vale ganha também com avanço de seus profissionais

Após um ano de controle de materiais com RFID nas áreas de uso, os funcionários passaram naturalmente a substituir o trabalho braçal pelo de análise logística

Por Edson Perin

15 de setembro de 2015 - A mineradora brasileira e global Vale, produtora de minério de ferro e níquel, descobriu um novo retorno sobre os investimentos (ROI) que está sendo obtido com a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID). Desta vez, a área de recursos humanos demonstra benefícios adicionais pela adoção da tecnologia, que a companhia vem utilizando há mais de três anos em seus estoques de peças e materiais (leia mais em Auditoria aprova uso de RFID na Vale, Vale rastreia 70 mil materiais de manutenção e Vale seleciona RFID entre seus melhores projetos). Os profissionais responsáveis pelos estoques de materiais nas áreas onde são utilizados, ou seja, fora do armazém central, estão deixando de lado parte do trabalho braçal para, naturalmente, adotar uma visão mais estratégica dos processos.

Carlos Teixeira, analista sênior da Vale, em Itabira (MG), responsável pela implantação das soluções pioneiras de RFID na companhia e que será palestrante do RFID Journal LIVE! Brasil 2015 - dias 7 e 8 de outubro no Centro de Convenções do Espaço APAS, em São Paulo (SP) -, afirma ser "visivelmente interessante como a tecnologia contribui para o trabalho humano". Teixeira argumenta que os funcionários passaram a ter menos trabalho para movimentar materiais e, com isso, estão ocupando o tempo observando quais produtos são mais utilizados, com que frequência, ou que precisam ser adquiridos em quantidades menores, por serem pouco utilizados. "Alguns profissionais estão aproveitando os ganhos de eficiência com a RFID para se tornarem muito mais analistas logísticos do que operadores".

Carlos Teixeira, da Vale, será palestrante do LIVE! Brasil 2015
Em abril, a Vale realizou uma conferência total de seus itens controlados por sistemas RFID para verificar a confiabilidade do controle de peças e ferramentas, em dois de seus sites em Minas Gerais: Cauê e Conceição. Na ocasião, não foram encontrados erros entre o que os sistemas indicavam de disponibilidade de produtos e o que realmente havia em estoque. "Nós havíamos sugerido 5% de margem de erro, mas – na realidade – não houve erro nenhum", afirma Teixeira. "Se os computadores diziam haver 235 parafusos, os 235 parafusos estavam lá".

Após a constatação deste sucesso em sua auditoria interna, a companhia aprovou os investimentos para que fossem continuados os testes de controle dos estoques com RFID fora dos armazéns centrais. Ou seja, nos locais onde são guardados para uso imediato nas áreas que consomem cada um destes insumos. "Isto tem favorecido um ganho de tempo nas atividades que, antes da RFID, eram predominantemente braçais. Agora, os profissionais estão colaborando de uma maneira mais criativa, graças a esta disponibilidade", relata.

"Quando um profissional de manutenção pede por um produto pelo ERP [sistema de gestão da companhia, da SAP] e recebe este bem na área de uso do material, ou seja, onde o funcionário trabalha, surge o problema com estes itens", analisa Teixeira. "Qual a garantia se tem de o material ter sido utilizado ou não? Se não foi utilizado, quanto gerou de sobras? Houve desperdício? Existe muito dinheiro envolvido neste processo de aquisição de materiais, por isso, não se podem desprezar estas questões".