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Estudo aborda manufatura personalizada em massa

Samuel Bloch da Silva, doutorando do ITA, apresenta artigo sobre fabricação em grande escala de produtos personalizados, sem custos adicionais, possível com RFID

Por Edson Perin

30 de julho de 2015 - Em meio aos estudos e discussões sobre a chamada Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial (leia mais em A RFID é a base da Indústria 4.0), o brasileiro Samuel Bloch da Silva, doutorando do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), tem realizado pesquisas sobre o uso das tecnologias de identificação por radiofrequência (RFID) na manufatura. No seu recente artigo "Integração da Manufatura Aditiva com a Tecnologia RFID" (clique para ler), publicado na seção de Documentos do RFID Journal Brasil, Samuel, como prefere ser chamado, apresenta dados e documentos que dão sustentação ao seu trabalho.

De acordo com o cientista brasileiro, o processo de fabricação baseado em Manufatura Aditiva, também chamado de prototipagem rápida, tem se apresentado como uma das tecnologias de ruptura em relação aos demais processos existentes. "Estudos recentes", afirma Samuel, "traduzem a flexibilidade operacional desta tecnologia como a oportunidade de disponibilizar produtos de forma mais rápida e mais próxima dos clientes ou usuários finais sem intermediários". Ele aponta como uma das principais vantagens da manufatura aditiva a flexibilidade para produzir peças a partir do seu projeto 3D, sem a necessidade de construção de ferramental especial, compra de grandes quantidades de matéria prima, setup de máquinas, tratamento de resíduos entre outras vantagens.

Exemplo de componente impresso com etiqueta RFID embarcada
Segundo Samuel, torna-se possível atender necessidades específicas de clientes, com localizações geográficas distantes dos grandes centros produtores e sem a necessidade de uma extensa cadeia produtiva e de logística. "Além dos aspectos produtivos, o que está por de trás desta revolução é o que o se chama de liberdade para a individualização e a liberdade para customização", explica. "A diferença se baseia fundamentalmente na relação custo, tamanho de lote e complexidade do componente; quando comparamos os mesmos com os sistemas tradicionais de manufatura".

Samuel atesta que a revolução está na possibilidade de se criarem produtos inovadores em modelos de negócio inovadores, a partir apenas de bits e bytes. "Isto significa digitalizar toda uma cadeia produtiva, transformando toneladas de matérias primas em terabytes de dados". Considerando que a base desta revolução está em se produzirem componentes diversos a partir apenas de informações digitais, acrescenta, "uma cadeia de eventos físicos utilizados na fabricação de componentes de forma tradicional seria eliminada".

De acordo com ele, isto pressupõe que no futuro próximo não haverá incremento de custo para fabricação de pequenos lotes de forma aditiva quando comparada com os sistemas convencionais. Consequentemente, não existirá também incremento de custo para execução de componentes complexos em contraste aos processos que privilegiam a retirada de materiais, como – por exemplo – a usinagem. "Com isto, a integração da Manufatura Aditiva com a tecnologia RFID torna-se inerente à própria necessidade de se identificar os materiais e/ou componentes no mundo moderno", conclui Samuel.