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Solução pode evitar concussão em esportistas

Uma lesão provocada durante uma competição de luta inspirou um jovem estudante do MIT a desenvolver um sistema que pretende impedir danos cerebrais

Por Mary Catherine O'Connor

10 de setembro de 2014 - Durante seu primeiro ano estudando engenharia mecânica noMassachusetts Institute of Technology (MIT), Benjamin Harvatine sofreu uma grave pancada na cabeça enquanto disputava um campeonato de luta romana. Ele não tem certeza exatamente de quando, durante esse jogo fatídico, sofreu este abalo, mas lembra de pensar: "basta continuar". Após a luta, ele percebeu que era mais do que cansaço, que também estava tonto e tinha problemas para falar com clareza. Demoraram longos meses para Harvatine se recuperar totalmente e ele ficou incomodado com a seguinte pergunta: como isso poderia ter sido evitado?

Na época, ele estava matriculado em uma disciplina chamada Sensores e Instrumentação, na qual percebeu que poderia ter evitado o incidente e também vislumbrou uma oportunidade de negócios, inovando as formas pelas quais os jovens atletas e seus treinadores acompanham e avaliam os abalos ocorridos nas lutas, usando uma combinação de sensores sem fio e um aplicativo de smartphone.

"Tínhamos um projeto chamado 'Go Forth & Measure'", diz Harvatine. O objetivo era selecionar os sensores de um vasto leque de opções, colocá-los no mundo real, medir algum fenômeno e apresentar as informações e aprendizados em uma sessão de pôsteres. "Então eu peguei um par de acelerômetros e os amarrei por todo o meu capacete para luta".

O sensor Jolt preso à cabeça de uma jogadora de futebol, em uma bandana
Durante os últimos anos, os médicos, atletas e treinadores têm se tornado cada vez mais conscientes dos perigos e contusões relacionados com esportes. Tais lesões cerebrais interrompem conexões sinápticas e podem ter efeitos na saúde a longo prazo, especialmente em atletas jovens cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento. De acordo com o grupo sem fins lucrativos Cleared to Play, 21 por cento de todas as lesões cerebrais traumáticas em crianças nos Estados Unidos estão associadas com a participação em atividades esportivas e recreativas.

Mesmo cabeçadas de futebol (passar a bola com a cabeça) pode levar a lesões graves, dependendo da frequência e intensidade dos impactos. The New York Times recentemente informou sobre um estudo mostrando que uma história de vários ferimentos na cabeça parece aumentar a probabilidade de desenvolver esclerose lateral amiotrófica (ELA).

O capacete para lutas é composto por proteções de ouvido que cobrem as orelhas do esportista para protegê-los de uma lesão comumente conhecida como "orelha couve-flor", causada por impactos repetitivos. Tal capacete, no entanto, não oferece nenhuma proteção contra golpes que podem levar a uma concussão (lesão cerebral). Com os sensores ligados, Harvatine foi capaz de gravar o número e gravidade de batidas que ele recebeu na cabeça, no decorrer de uma luta e a informação pode ser utilizada para determinar o limite de indução a ferimentos.

Estimulado por seus resultados iniciais, Harvatine começou a apresentar aos companheiros de equipe sua instalação muito rudimentar e ainda cheia de fios. "Eu tive que entrar junto com os esportistas durante as lutas", lembra ele com uma risada, "porque os sensores estavam conectados por fios a um coletor de dados que estava ligado ao meu laptop". Em abril de 2011, ele desenvolveu um protótipo com fio para a prova de conceito, projetado para acompanhar e registrar os impactos perigosos na cabeça.

Harvatine então começou a consubstanciar a ideia com Seth Berg, um ex-colega do MIT e engenheiro elétrico. O sensor teria de coletar dados de impacto ao longo do tempo, explica Harvatine, e transmitir essa informação sem fios a um aplicativo de smartphone, analisando os dados brutos com os quais treinadores, jogadores, treinadores e pais poderiam, então, tomar decisões sólidas sobre os jogadores. Quando os atletas continuam treinando enquanto se recuperam de uma contusão, lesões cerebrais secundárias podem ter consequências sérias a longo prazo. Para ajudar a detectar impactos na cabeça e determinar se os lutadores merecem descanso prolongado para recuperação, o aplicativo também oferece testes cognitivos curtos para os atletas e, em seguida, fazer o upload para os treinadores reverem. O conjunto de sensor e app são chamados de Jolt. A dupla lançou uma campanha Kickstarter no final de agosto para financiar o projeto e agora tem 50 por cento do caminho andado para sua meta de US$ 60.000.