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Ondas de RFID não influenciam fatores biológicos

A constatação resulta de um estudo de dois anos realizado por duas universidades dos Estados Unidos e oito empresas biofarmacêuticas

Por Claire Swedberg e Edson Perin

2 de junho de 2014 - Um questionamento feito há poucas semanas em um evento realizado em Recife (PE), pela empresa estatal Hemobrás, acerca do uso de identificação por radiofrequência (RFID) em produtos biológicos, como bolsas de sangue para transfusão, derivados de sangue (hemoderivados) e produtos de biotecnologia, já foi solucionado há mais de três anos por vários grupos de cientistas.

O estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Flórida e da Universidade Politécnica do Sul da Flórida (USFP), com a ajuda da Abbot Laboratories, descobriu que os produtos farmacêuticos que contêm compostos biológicos (medicamentos criados por processos biológicos e/ou genéticos), como insulina e vacinas, não foram afetados negativamente pela exposição a sinais de radiofrequência (RF) de 8 watts, por 24 horas, em frequências normalmente empregadas pelos leitores e tags de RFID.

O projeto foi liderado por Ismail Uysal, professor da Faculdade de Tecnologia e Inovação, da USFP, e Jean-Pierre Emond, decano da mesma Faculdade de Tecnologia e Inovação. Os pesquisadores testaram 100 produtos biológicos fabricados por oito empresas farmacêuticas, expondo esses produtos a cinco bandas de RF comumente usadas por etiquetas e leitores RFID. Ou seja, de 13,56 MHz, 433 MHz, 868 MHz, 915 MHz e 2,4 GHz.

Dentro da câmara anecóica, os pesquisadores colocaram garrafas de produto biológico sob uma antena de RF
O estudo constatou que nenhuma das bandas de RF, na forma de sinais de RF de 8 watts, transmitidos continuamente ao longo de um período de 24 horas por uma antena de 24 centímetros, teve qualquer impacto sobre estruturas de proteínas dos produtos. Os pesquisadores apresentaram os resultados do estudo no RFID Journal LIVE! 2011 (leia mais também em RFID in Health Care 2012 Report), no mês de abril, em Orlando, nos Estados Unidos. Com o estudo, Uysal fez com que a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, retirassem os produtos biológicos de uma lista em relação ao uso da tecnologia RFID em torno de produtos farmacêuticos.

As diretrizes da FDA para o uso de RFID, emitidas em 2004 e conhecidas como Compliance Policy Guides Section 400.210: Radiofrequency Identification Feasibility Studies and Pilot Programs for Drugs, excluíram os produtos contendo compostos biológicos, tais como sangue, plasma ou hormônios, uma vez que os pesquisadores da Flórida fizeram testes suficientes para provar que a transmissão de RF não-térmica não prejudica as ligações proteicas. O BloodCenter de Wisconsin completou duas fases da pesquisa sobre os efeitos da transmissão de RF em glóbulos vermelhos, plaquetas e plasma, estudando apenas os efeitos das transmissões de 13,56 MHz.

Pesquisadores das duas universidades da Flórida ampliaram os tipos de bandas de frequência, testando em três categorias de produtos: produtos biológicos e vacinas, imunoglobulinas (também conhecidas como anticorpos) e hormônios. Os produtos foram fabricados e fornecidos pela Abbott Laboratories, bem como Amgen, EMD Serono, GlaxoSmithKline, Merck, Pfizer, Sanofi Pasteur e Schering-Plough (agora propriedade da Merck). No total, 100 produtos foram testados.