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RFID deve seguir padrões internacionais no Brasil

A posição foi defendida em mesa redonda com representantes do RFID CoE e do CPqD, durante o NI Days, em São Paulo

Por Edson Perin

3 de abril de 2014 - "O que esperar da identificação por radiofrequência (RFID) nos próximos anos?" Com esta questão, Alexsander Loula, gerente de desenvolvimento de negócios da National Instruments Brasil, abriu a mesa redonda sobre RFID com os representantes do RFID Center of Excellence (RFID CoE), Armando Lucrecio, e do CPqD, Clovis Magri, durante o evento NI Days, realizado em São Paulo, no dia 27 de março. As respostas foram abrangentes, tanto sobre as aplicações como o desenvolvimento da tecnologia. Entre os pontos em comum, a posição central mais defendida foi o desenvolvimento de soluções no Brasil que sigam os padrões internacionais.

Lucrecio, do RFID CoE, diz que o foco do centro está em formação profissional. "Certificamos profissionais em parceria com a GS1, para que possam utilizar a tecnologia de modo amplo e com conhecimentos específicos. Mas o Brasil tem de evitar de se fechar: deve utilizar os padrões internacionais, como ensinamos aos nossos alunos em nossos cursos. Senão, novos produtos vão aparecer e, se a infraestrutura do país não estiver padronizada, os sistemas não poderão conversar entre si, aumentando custos e reduzindo a eficiência do que for implantado no Brasil".

Ao comentar a Internet das Coisas, Magri afirmou que o CPqD também aposta nos padrões para evitar o isolamento. "A Internet das Coisas não pode ter ilhas, por não ter padrões únicos. A GS1, por exemplo, mantém o protocolo de comunicação de RFID. Assim, podemos partir para um protocolo que será o utilizado por sensores, por exemplo".

"Hoje existem diversos protocolos usados pelas máquinas", ressaltou Lucrecio, focando na necessidade dos padrões. "A RFID já está atravessando a fase de maturidade e a tecnologia está sendo adotada amplamente. Com a Internet das Coisas, teremos de interligar coisas com outras coisas. E as plataformas tem de ser desenvolvidas de acordo, para trocar informações com eficiência".

Magri acredita que o foco deve sair da simples visão sobre as aplicações da tecnologia. "Temos de investir mais em pesquisa. O país tem de investir em pesquisa, estudar o chip que produz sua própria energia, por exemplo, com energy harvest. Sentimos falta da luta por padrões e precisamos desenvolver segurança também. O Brasil precisa investir na parte do desenvolvimento, criar hardware de baixo custo. Já criamos um middleware genérico no CPqD, capaz de ser usado por qualquer reader [leitor] que está no mercado hoje".

Para Magri, os custos da tecnologia ainda são um entrave no Brasil. "Temos de trabalhar a nacionalização de equipamentos. As etiquetas já estão barateando, mas o custo do hardware ainda é alto", alegando que o empresário brasileiro tem perfil imediatista e busca o Retorno sobre o Investimento (ROI) de uma maneira mais rápida. "Para incentivar a RFID no Brasil temos de melhorar o custo do leitor. Até agora, não atingimos nem 15% ou 20% do mercado potencial".

Lucrecio informou que o RFID CoE irá apresentar um sistema RFID desenvolvido no Brasil, em seu estande no RFID Journal LIVE! 2014, em Orlando, nos Estados Unidos. "Vamos demonstrar um sistema de RFID as a Service (RFIDaaS), com um middleware que já está pronto para ser comercializado", afirmou. "O código de barras tende a desaparecer um dia, especialmente com tendências como o protocolo EPCGen2v2, com encriptação e mais segurança, maior espaço para armazenamento nos chips, protocolo aberto e chips híbridos HF e UHF, para aplicações em campo próximo e longo, e antenas impressas".

A radiofrequência (RF) é um desafio, na opinião de Magri. "A educação do mercado, como o serviço que o RFID Journal presta, e as propostas de governo para uso da tecnologia, como o Siniav e o Brasil-ID, por exemplo, tornam o mercado promissor e mostram que há muito a amadurecer", dizendo que o país ainda precisa de soluções completas, prontas para o uso. "O CPqD fez acordos com Identix e CCRR, pois estamos tentando entregar soluções de ponta a ponta".

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