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USP cria simulador para ampliar benefícios da tecnologia

Segundo pesquisadores, o software é capaz de testar a leitura das etiquetas RFID e validou mecanismo que aumenta a eficiência do processo em quase 30%

Por Edson Perin

7 de março de 2014 - O Instituto de Matemática e Estatística (IME), da USP, abriga um grupo de pesquisadores que desenvolveu um simulador de identificação por radiofrequência (RFID) capaz de fazer testes de leitura de etiquetas e que, segundo os estudiosos, permitiu realizar aperfeiçoamentos que ampliaram este poder de leitura em até 27%. As pesquisas têm foco nos chamados protocolos anti-colisão, com o intuito de melhorar a eficiência da leitura de grandes quantidades de tags presentes em um mesmo ambiente, como em um armazém para estoque de produtos.

Daniel Macêdo Batista, professor da USP
"Hoje, o sistema de etiqueta de identificação por radiofrequência possui algumas limitações: em ambientes maiores, há dificuldades para se fazer a leitura de vários objetos ou pessoas ao mesmo tempo, principalmente, se estiverem se movimentando", explica o professor do Departamento de Ciência da Computação do IME, Daniel Macêdo Batista. "Além disso, quando o leitor não consegue ler os dados da etiqueta na primeira vez, ele continua tentando por tempo indeterminado, o que aumenta o consumo de energia do equipamento e diminui sua eficiência".

Para solucionar estes problemas, o doutorando Rafael Perazzo Barbosa Mota, orientado pelo professor Batista, iniciou a pesquisa intitulada "Mecanismos Eficientes de Comunicação por RFID". Para começar, o estudante investigou os protocolos e padrões de identificação das etiquetas RFID, adotados pelas empresas fabricantes de leitores e tags. "Esses protocolos foram inseridos em um software livre, o NS-2, para a simulação do funcionamento das etiquetas de identificação por RFID", relata.

Rafael Perazzo Barbosa Mota, doutorando da USP
Segundo Mota, foram percebidas ineficiências e, a partir daí, realizadas modificações que permitissem ao aparelho leitor detectar os dados das etiquetas somente uma vez, tornando a operação mais rápida e permitindo o uso de uma maior quantidade de etiquetas.

O simulador NS-2 é um software de propósito geral e nele foi inserido um novo módulo desenvolvido por Mota para teste de leitores e etiquetas RFID. "Posso fazer a identificação e a singularização das etiquetas, analisar tudo o que for pertinente, quanto tempo levou para ler estas etiquetas, qual é a eficiência da identificação, adicionar novos algoritmos anti-colisão e gerar um arquivo que grava tudo, qualquer troca de mensagens entre leitor e etiqueta. Tudo o que é detalhado no padrão EPC eu posso rastrear", afirma Mota.

"Além do simulador, conseguimos criar um mecanismo anti-colisão, com melhoria de 27% nas leituras em UHF", comemora o doutorando. "Em Taiwan, apresentamos uma melhoria que permite economizar as mensagens trocadas entre leitores e etiquetas, para ser usada em ambientes com grande quantidade de etiquetas", dizendo que um dos benefícios desta conquista foi a redução do consumo de energia nos processos.