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Estudo alerta para impacto do Trem Bala na RFID

Se a Anatel autorizar a frequência de comunicação ferroviária europeia, os sistemas já implantados no Brasil sofrerão degradação na leitura das tags

Por Edson Perin

10 de outubro de 2013 - Um estudo realizado por especialistas do RFID CoE (Center of Excellence), de Sorocaba (SP), com base em testes experimentais concluídos no laboratório do instituto, mostra que, se for adotado o padrão de comunicação ferroviário europeu na operação do Trem de Alta Velocidade (TAV) no Brasil, o chamado Trem Bala, os sistemas de identificação por radiofrequência (RFID) que hoje já operam no país sofrerão com a degradação na leitura das tags.

O estudo foi apresentado na Malásia, em setembro de 2013, no Congresso Internacional de RFID Tecnologia e Aplicações, na IEEE RFID-TA 2013, pelos seus autores brasileiros: a professora Renata Rampim de Freitas Dias, membro do IEEE, professora associada do RFID CoE e doutoranda pela Universidade de Campinas (Unicamp), o professor-doutor Hugo E. Hernandez Figueroa, membro sênior do IEEE e integrante do Departamento de Microondas da Unicamp, e o engenheiro Luiz Renato Costa, membro do RFID CoE.

Renata Rampim, professora do RFID CoE e doutoranda da Unicamp, e o engenheiro Luiz Renato Costa, membro do RFID CoE, apresentaram o estudo na IEEE RFID-TA 2013, na Malásia
De acordo com a professora Renata, para os estudiosos do RFID, o que está em pauta não é a importância do Trem Bala para o Brasil, considerado positivo para melhorar os transportes, mas como afetará o desempenho dos sistemas de RFID no país, se for utilizada a mesma faixa de frequência já designada para a identificação por radiofrequência.

“Se a faixa de frequência do RFID for destinada ao Trem de Alta Velocidade, todas as aplicações brasileiras, independentemente de sua localização, deverão se adequar a esta nova realidade, pois o RFID é tido como um serviço secundário perante a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e o telecomando do trem é primário”, esclarece a professora.

Isto é exatamente o que mostra o artigo, que está publicado na íntegra no site do RFID Journal Brasil, em inglês, na seção Documentos, sob o título Analysis of impacts on the change of frequency band for RFID system in Brazil (Análise do impacto da mudança da banda de frequência do sistema RFID no Brasil).

Atualmente, o espectro de frequência da RFID UHF no Brasil abrange as faixas de 902 a 907,5 MHz e de 915 a 928 MHz, divididos, no mínimo, em 35 canais com modulação de Frequency Hopping (saltos em frequência), dos quais 10 canais se encontram na primeira faixa e 25 canais se encontram na segunda faixa.

Segundo o engenheiro Armando Lucrecio, M.Sc. e gerente do RFID CoE, o Trem de Alta Velocidade no Brasil, com previsão de implementação para 2020, utilizará a primeira faixa de frequência de RFID descrita anteriormente para a sua comunicação.