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J.C. Penney adia sonho de RFID

Seis meses depois de anunciar que colocaria tags em 100% dos produtos, a rede varejista informa que restringirá o uso a poucas categorias de mercadorias, a fim de reduzir custos

Por Claire Swedberg

31 de janeiro de 2013 - A JC Penney reduziu seu compromisso com a marcação de produtos com tags de identificação por radiofrequência (RFID). A meta representa agora apenas uma fração de seus planos de implantação originais. A rede varejista enviou uma carta aos seus fornecedores em 21 de janeiro, indicando que apenas sapatos, sutiãs e alguns outros produtos terão tags para rastreamento por item. A empresa disse ao RFID Journal que os itens etiquetados também incluem joias.

Seis meses atrás, no Fortune Brainstorm Tech, conferência realizada em julho de 2012, em Aspen, Colorado, Ron Johnson, CEO da empresa, anunciou que todas as mercadorias vendidas pela JC Penney seriam marcadas com RFID até fevereiro de 2013 e que todas as lojas estariam equipadas com o hardware e software necessários para ler as tags e melhorar a cadeia de fornecimento e a visibilidade do inventário (leia em CEO do JC Penney usa RFID para transformar modo de comprar).

Além disso, a rede varejista começaria a usar RFID para permitir o self-checkout ainda em 2013, de acordo com Johnson, explicando que operar registros de caixa da empresa seria uma despesa grande. "Cerca de 10% de todo o dinheiro que gastamos, a metade de um bilhão de dólares por ano, vai para as transações", afirmou. Usando RFID, em conjunto com outras tecnologias, que permitam o self-checkout, a empresa economizaria dinheiro e poderia proporcionar um novo nível de serviço ao cliente.

A fim de colher todos os benefícios da implantação de RFID, no entanto, a varejista precisa primeiro investir na compra da tecnologia e na sua instalação. Em última análise, o preço de um programa tão ambicioso provou ser muito alto para a rede varejista neste momento.

"Recentemente, a empresa adiou a implementação de RFID, como parte de uma iniciativa de redução de custos", disse Joey Thomas, gerente de relações com a mídia da JC Penney, mas vai continuar a marcar com RFID seus calçados, joias e a moda para homens e mulheres. “Nós vemos o valor e os benefícios da RFID e continuaremos a explorar a oportunidade para implantar a tecnologia em uma data posterior”.

Vários fatores podem ter levado ao adiamento dos planos de RFID, entre eles os problemas financeiros da própria empresa ao longo dos últimos dois anos. "O déficit da JC Penney nas vendas não pode ser subestimado", diz Paula Rosenblum, analista da RSR Research, com experiência de mais de 20 anos em tecnologia para varejo. "O impacto de seu déficit em outras decisões é real".

Embora os varejistas – incluindo Macy's, Lord &Taylor e até mesmo a JC Penney – dizerem que estão conseguindo grandes benefícios através da implementação de RFID dentro de apenas alguns departamentos, Rosenblum acredita que pode haver um problema fundamental na implantação da tecnologia. “Se, com base na leitura de dados RFID, uma contagem de ciclo dentro de um departamento descobre que os itens estão em falta”, explica, “o desafio passa a ser como interpretar essa informação e como conciliar isso com a contagem de inventário esperado”. Ela supõe que os auditores estariam relutantes em aceitar esses resultados sem uma contagem completa de produtos de toda a loja.