Notas do Editor

Sobre aquele problema com metal e água

As etiquetas de RFID têm melhorado a tal ponto que a presença de água e de metal já não são mais os grandes obstáculos

Por Mark Roberti

29 de agosto de 2012 - Palestrei na semana passada em um evento em Bogotá, na Colômbia. Vários dos oradores mencionaram os desafios que a água e o metal podem representar. Durante um painel de discussão no final do dia, um membro da plateia disse: "Temos ouvido sobre os problemas com água e metal nos últimos 10 anos. Quando isso vai ser resolvido? Porque se você não pode ler em torno de metal e água, então, a RFID é inútil".

Minha resposta: "A indústria já resolveu isso".

Eu observei que a etiqueta não pode ser lida no meio de um pallet de produtos enlatados ou no centro de um pallet de água engarrafada A energia só não pode chegar ao centro de pallet. O metal reflete a energia para longe da etiqueta e a água absorve a energia. É improvável que isso mude – as leis da física não são facilmente quebradas.

Metais provocam dois problemas para os transponders de RFID: podem refletir a energia para longe da etiqueta, impedindo a antena de receber a energia. Mas agora há tags com espaçadores que podem ser colocadas em objetos de metal, como racks e servidores em um datacenter. Em muitos casos, as etiquetas utilizam o metal de modo a refletir uma maior quantidade de energia para a etiqueta, aumentando assim a gama de leitura. Há também tags que podem ser colocadas em objetos metálicos, tais como tubos de petróleo e instrumentos médicos.

No início deste ano, informamos que o BIBA Institute, na University of Bremen, em conjunto com J.H. Tönnjes E.A.S.T. GmbH & Co. e Kathrein Sachsen GmbH, desenvolveu e testou placas passivas de RFID que superam as etiquetas inteligentes em para-brisas, bem como sobre placas de metal para identificação de veículos.

Também relatamos no May-June 2012 issue of RFID Journal magazine> que pesquisadores do North Dakota State University Center for Nanoscale Science and Engineering desenvolveram uma etiqueta RFID sem antena que transforma um objeto de metal em antena do dispositivo, que consiste em um chip e num pequeno anel de metal que atravessa o material magnético. Quando um objeto de metal com uma tag recebe energia de um interrogador, um campo elétrico é criado. O material magnético ajuda a capturar a carga induzida no metal e desvia para o loop, onde alimenta o chip. Embora ainda não esteja pronta para comercialização, esta inovação pode eliminar a necessidade de um espaçador entre uma tag e um objeto de metal.

A água é um pouco mais desafiadora, já que absorve a energia. O problema pode ser resolvido alterando a sintonia e a impedância da antena, de modo que, quando se está próximo da água, torne-se sintonizada com a frequência apropriada. Isso permitiria que a etiqueta ao ser lida tenha uma gama relativamente curta. Você também pode colocar metal atrás da tag e usar uma tag metálica para aumentar o alcance de leitura.

Ou seja, significa que há soluções para o desafio de usar RFID em torno de metal e água. E as etiquetas especialmente projetadas são mais caras do que as tags genéricas que podem ser usadas em objetos amigáveis à radiofrequência. Portanto, a questão não é se as etiquetas podem ser lidas na presença de água e metal, mas, devido ao custo mais elevado, se o aplicativo vai entregar um retorno sobre o investimento ou resolver o problema.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.
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