Notas do Editor

O contexto holístico da RFID

Um número crescente de empresas está considerando a tecnologia de identificação por radiofrequência para realizar mudanças fundamentais em sua organização

Por Mark Roberti

12 de junho de 2012 - Há uma década, escrevi um artigo sobre a Emerson Electric, que tinha abraçado o comércio eletrônico como maneira de integrar suas diversas empresas e reduzir custos. A Emerson havia crescido por meio de aquisições de empresas e, por isso, tinha diferentes divisões comprando os mesmos itens a preços completamente diferentes. Os altos executivos da Emerson então perceberam que, se utilizassem uma mesma plataforma de comércio eletrônico, poderiam integrar as compras e alavancar ainda mais o poder de negociação da empresa como um todo, reduzindo custos e ganhando vantagem sobre os concorrentes.

Assim, ao invés de uma de suas divisões comprar 50.000 unidades de um item por, digamos, US$ 200 cada unidade e uma outra divisão comprar 1.000 unidades do mesmo ativo por US$ 300 cada, a empresa poderia comprar todas as 51.000 unidades por um preço unitário de US$ 200. Fazendo isso com dezenas de milhares de produtos, a Emerson conseguiu economizar milhões de dólares.

Trago este exemplo acima porque agora estou começando a ver as empresas adotarem uma abordagem mais estratégica para a implantação da identificação por radiofrequência (RFID). Ao invés de ver a tecnologia como uma forma de resolver um problema de negócio único, algumas empresas estão começando a entender que a tecnologia RFID pode ser usada para atingir um objetivo final maior, como unificar divisões de negócios diferentes para formar um todo mais eficiente, por exemplo.

Para os varejistas convencionais, a RFID fornece o tipo de visibilidade de inventário que lhes permite melhorar a eficiência e cortar custos, para competir com seus rivais online. A Macy's é um bom exemplo disso. A cadeia de lojas de departamento quer sim aumentar a precisão do controle de inventário, mas tem um objetivo maior em mente: deseja que seus clientes possam comprar um mesmo item por telefone ou online e depois buscá-lo em uma loja; ou ainda comprar um produto via telefone, ter esse item enviado de uma loja próxima até sua casa e, se não servir, retorná-lo à loja. Para realizar esta mudança fundamental na forma como faz negócios, a rede varejista terá de realizar um acompanhamento de inventário com alta precisão e visibilidade. RFID é a tecnologia que pode oferecer à Macy’s esta habilidade.

Sei também de uma empresa de manufatura que, como a Emerson Electric, cresceu por meio de aquisições de outras empresas e que contava com diversos sistemas de TI e processos de negócios diferentes em cada uma de suas unidades. Depois de decidir pelo sistema de gestão empresarial da SAP, a empresa percebeu que os seus diferentes processos de negócios dificultariam a implantação do SAP, pois exigiria muita personalização. A companhia agora está implantando RFID para controlar o processo de trabalho e de inventário, a fim de assegurar que todas as unidades possam realizar tarefas semelhantes, dentro de um mesmo processo. Com isso, os processos de negócios baseados em RFID estão, em certo sentido, criando uma linguagem comum nas unidades de fabricação.