Notas do Editor

Usuários finais querem um iPod

Uma empresa poderia construir uma solução de RFID mais fácil de implantar, que funcionasse bem e não envolvesse um monte de problemas? Se sim, poderia aumentar dramaticamente a adoção desta tecnologia

Por Mark Roberti

22 de dezembro de 2011 - Já escrevi antes sobre grandes empresas de tecnologia que não investem na identificação de radiofrequência (RFID) e estarem, com isso, perdendo a oportunidade de ser o "gorila" do mercado, ou seja, o grande líder. Um leitor postou um comentário sobre isso dizendo que possuir o mercado pode ser uma "obsessão irreal", acrescentando que a indústria de RFID "desenvolver-se-á passo a passo" e que eu "não posso me referir a isso com grandeza".

A verdade é que as empresas de RFID costumavam ser obcecadas com a propriedade do mercado. No passado, muitos queriam vender sistemas proprietários na esperança de se tornarem a Microsoft do RFID (o que nunca ia acontecer). Mas ninguém pensa desta forma agora. Na verdade, poucas empresas estão focadas em tornarem-se “o gorila”. E mesmo aqueles que dizem ler e abraçar os escritos de Geoffrey Moore muitas vezes não conseguem adotar estratégias para conduzir a uma posição dominante no mercado.


Mark Roberti
Mas o foco desta coluna é realmente sobre o segundo ponto, que diz que o RFID vai se desenvolver passo-a-passo. Este foi o meu ponto de vista antes de ler Crossing the Chasm e Dentro do Tornado, trabalhos de Moore sobre a adoção da tecnologia. Mas desde que realizei a leitura destes livros, cheguei a acreditar que as empresas de RFID podem retardar ou acelerar a adopção da tecnologia, de acordo com suas estratégias.

De acordo com Moore, antes de uma nova tecnologia como RFID virar mainstream (referente a atingir uma alta relevância), deve haver um problema que nenhuma outra tecnologia possa resolver, bem como um padrão global, um produto completo, uma massa crítica de usuários e um gorila que o resto do mercado se sinta seguro em abraçar.

O problema é que não há nenhum produto RFID verdadeiramente completo. Os usuários finais podem comprar etiquetas, leitores e software e, então, contratar alguém para integrá-los, o que envolve investir tempo e dinheiro e, talvez mais importante, assumir um risco significativo. O projeto pode falhar e todo esse tempo e dinheiro seria desperdiçado. Que é provavelmente o maior problema do mercado hoje.

Uma situação semelhante existia antes de a Apple introduzir o iPod. Havia hardware e software para baixar músicas do CD. Havia tocadores de MP3 para tocar essas músicas. E já havia software para gerenciar as playlists (listas de reprodução). Mas todas estas coisas não eram integradas por uma única empresa e as vendas de tocadores de MP3 (MP3 players) estavam lentas. O primeiro MP3 player primeiro foi lançado no mercado em 1998. Em 2001, as vendas chegaram a modestas 750 mil unidades.