Notas do Editor

Como investir em IoT com apoio do BNDES

Empresas de tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) discutem com executivos do banco meios de facilitar o acesso aos recursos financeiros

Por Edson Perin

3 de agosto de 2018 - O Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun hospedou nesta quinta-feira, 2 de agosto de 2018, um encontro histórico entre representantes de empresas fornecedoras de tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) com executivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No cardápio, como tornar os recursos do banco acessíveis para os empresários investirem em projetos de IoT (ou Internet das Coisas).

Depois de os executivos da instituição financeira argumentarem os desafios para liberação de investimentos, foram apresentadas as oportunidades de o Brasil se tornar protagonista do cenário internacional de IoT, por meio de depoimentos de empresas de logística e de empresários do segmento de tecnologia, incluindo o próprio presidente do von Braun, Dario Thober. Porém, ainda não há nenhum movimento real pela liberação de dinheiro.

De um lado, os executivos do BNDES apresentaram como funcionam as operações do banco e as barreiras burocráticas e regulatórias para que sejam tirados investimentos preciosos de lá de dentro para se colocar em empresas que estão desenvolvendo tecnologia inovadora e disruptiva no Brasil. Por outro lado, as empresas de tecnologia RFID trouxeram suas necessidades, demandas e críticas sobre a burocracia da instituição que, em seu nome, teria de se destinar ao desenvolvimento econômico e social.

Um dos argumentos do BNDES sobre a dificuldade de se liberar investimentos está na necessidade de justificar recursos tirados do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), porque, segundo os executivos, não se podem financiar equipamentos importados já que estes não geram empregos no país.

Com base neste argumento, peguei o microfone para dizer: "ainda bem que não tivemos uma lei impedindo a importação de iPhones, da Apple, porque senão teríamos a primeira versão deste smartphone somente por volta de 2070". Arranquei algumas risadas dos presentes, mas todos em seguida se lembraram que a nossa realidade realmente sofre deste mal, deste tipo de absurdo, e pararam de rir.

Aproveitei o microfone para dizer ainda que estamos vivendo um momento excelente para as empresas brasileiras confirmarem sua liderança no mercado de RFID e que há pelo menos três grandes oportunidades internacionais para que isto ocorra.

A primeira se refere ao uso de RFID por empresas de logística, aproveitando inclusive a infraestrutura de cobrança de pedágios, o que já está em andamento no Brasil. A segunda foi anunciada na semana passada, quando os Correios apresentaram o projeto de RFID que está sendo experimentado no país e que será expandido para o mundo todo (leia mais em Correios consumirão 461 mi tags até 2021), graças à iniciativa da Universal Postal Union (UPU).

A terceira oportunidade diz respeito ao uso de RFID para rastreamento de bagagens nos aeroportos internacionais, o que se tornou uma meta da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a partir deste ano. Para se ter uma ideia, as companhias aéreas perderam mais de 21 milhões de malas em 2016, o que custou mais de US$ 2 bilhões em prejuízos. E a solução pode ser brasileira.

Sei que ainda as empresas de IoT e RFID estão longe de conseguir apoio, mas nunca canso de tentar.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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