Notas do Editor

Seres humanos: a grande oportunidade

O conceito de Indústria 4.0, criado na Alemanha em 2012 para planejar a próxima Revolução Industrial, pode estar esquecendo de um detalhe: as pessoas...

Por Edson Perin

19 de julho de 2018 - Nesta semana, participei de um encontro na GS1 Brasil, quando foi apresentado um balanço das atividades realizadas pela "Missão Técnica Internacional GS1 Brasil - Alemanha", com o intuito de compartilhar experiências com quem não teve a oportunidade de visitar a feira da CeBIT, em Hannover, e as empresas alemãs que já adotam o conceito de Internet das Coisas (IoT). Ao final das apresentações, uma constatação: a Indústria 4.0 pode falhar na área mais importante, ou seja, quando se trata dos impactos nos seres humanos.

Perguntados, os palestrantes, que foram os representantes do Brasil no evento, disseram não ter visto palestras ou sessões voltadas aos impactos – nos seres humanos e nas sociedades – das transformações profundas pelas quais já estamos passando, graças à evolução da Inteligência Artificial. O curioso é que o conceito de Indústria 4.0 foi cunhado tendo como argumento principal planejar as transformações da chamada 4ª Revolução Industrial.

Lembro que em 2012, o governo alemão, sob a batuta da primeira-ministra Angela Merkel, juntou um grupo grande de empresas multinacionais de origem alemã justamente para anunciar que, ao contrário da primeira, segunda e terceiras revoluções industriais, a quarta seria planejada de modo consciente pelos seres humanos. E, deste modo, tomaram para si uma grande responsabilidade, que nomearam de Industry 4.0.

Longe de esperar que alguém tenha uma bolinha de cristal para saber como as pessoas vão ganhar o pão amanhã, quando os robôs e as máquinas inteligentes – mais do que nós, reles mortais – tomarem os nossos trabalhos, espero realmente que sejamos menos "brasileiros com complexo de cães vira-latas", como disse um dos participantes do público, no auditório da GS1, e sejamos, sim, mais críticos – nem que só um pouquinho.

Primeiro, despertou curiosidade o fato de todos terem dito que o Brasil está para trás, no sentido de atrasado. Ilusão negativa, desculpem! Mas quando você vai para a Alemanha ver a CeBIT [feira espetacular e gigante, que cobri pela Rádio Eldorado São Paulo, em 2010] e visitar empresas preparadas para receber a gente, você acha que verá o que? Problemas, defeitos, erros? Imagine: quando alguém vai te visitar em casa, você vai querer que, pelo menos, as coisas estejam minimamente arrumadas e limpas.

Sim: minimamente arrumado na Alemanha significa muito bem organizado, acima do que temos como padrão brasileiro – e reconhecer isto não é ser vira-latas, mas realista.