Notas do Editor

É hora de ganhar dinheiro com a alta do dólar

Saiba como a desvalorização do real, a alta dos combustíveis e a habitual socialização das perdas podem representar oportunidades para negócios

Por Edson Perin

6 de junho de 2018 - Sim, o dólar cruzou a barreira dos R$ 3,80, marca que não era superada desde 2016, período da crise que culminou com a queda da presidente Dilma. Quanto mais o dólar sobe, creio que nem preciso dizer, mais os custos aumentam, porque muitos insumos são importados para abastecer diversos mercados. Um dos setores atingidos é o de tecnologia, assim como os equipamentos e tags de identificação por radiofrequência (RFID).

Mas ainda há sim meios de se ganhar dinheiro no mercado de RFID, mesmo com o dólar em alta, como explicarei a seguir. E, por incrível que pareça, graças à elevação da taxa de câmbio da moeda norte-americana. Aliás, o euro também está caríssimo, bem mais alto do que o dólar: cada euro vale hoje mais de R$ 4,40.

Nas últimas semanas, temos assistido a um verdadeiro festival de horrores promovido por Brasília: alta do dólar e dos combustíveis, além da habitual socialização das perdas. Nenhuma novidade, infelizmente. Nenhum governo até agora teve coragem de atacar o problema que prejudica o crescimento do Brasil, que é o custo excessivo de Brasília.

Enquanto não organizamos a sociedade para dar a solução que o Brasil necessita – ou seja, corte de custos em Brasília e redução de impostos –, o que as empresas que habitam o mundo real podem fazer para evitar prejuízos ou até o risco de ir à bancarrota? A solução não é fácil e nem de aplicação em curto prazo, mas na emergência deve ser lembrada.

O Brasil já é muito caro para se viver e, quanto mais o real desvaloriza, mais caro fica. Mas fica caro para os brasileiros e não para quem vem de fora. Muito pelo contrário, aliás. Quem tem dólar ou euro chega no Brasil e acha que o país está em liquidação. Tudo bem que não passa de uma ilusão de Black Friday, mas está tudo muito barato para os estrangeiros.

É aqui que cresce a nossa vantagem competitiva na área de Tecnologia da Informação (TI), quando o dólar e o euro sobem, graças a um dos maiores talentos do Brasil: o desenvolvimento de software. O software brasileiro tem excelente qualidade, temos mão de obra de alto nível para gerar códigos de classe mundial e, com a desvalorização do real, os nossos aplicativos ficam mais baratos para o mercado globalizado.

Por isso, as empresas que fornecem RFID para dentro e também para fora do Brasil estão melhor posicionadas. Num momento como o atual, em que a desvalorização do real pode prejudicar o andamento de alguns projetos no Brasil, devido ao aumento dos preços de leitores, antenas e tags, a venda de soluções para o mercado internacional se torna mais competitiva, já que o software fica relativamente mais barato.

Em outras palavras, sobram mais dólares para quem vender sistemas brasileiros no exterior. Esta pode ser inclusive uma maneira de se contabilizar lucros, mesmo se houver uma queda de receitas no Brasil.

Outro fator importante: a RFID e o conceito de Internet das Coisas (IoT) atingem brutalmente os processos das empresas usuárias, reduzindo custos e ampliando eficiências de um modo muitas vezes surpreendente e acima do esperado. Então, mais uma vez, a boa e velha matemática pode demonstrar que um aumento de insumos ainda poderá trazer ganhos espetaculares para quem implantar a tecnologia.

Soma-se a isto o fato de que, em épocas de crise, quem deixa de investir em alternativas tecnológicas para melhorar o desempenho nos negócios sempre acaba perdendo para aqueles que se esforçaram para chegar ao fim da tempestade prontos para ganhar mercado e conquistar novos clientes.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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