Notas do Editor

CEOs dos EUA são avessos ao risco?

Alguns executivos agora recebem tanto dinheiro que podem não estar dispostos a fazer as mudanças necessárias para as empresas sobreviverem no longo prazo

Por Mark Roberti

1 de junho de 2018 - O New York Times publicou recentemente um artigo sobre a remuneração de executivos, baseado em um estudo anual da Equilar (veja em Want to Make Money Like a CEO? Work for 275 Years). O artigo se concentra principalmente na disparidade de renda entre CEOs e funcionários, mas há uma questão maior relacionada ao aumento dos salários dos CEOs nos Estados Unidos: eles estão sufocando a inovação?

O artigo afirma que o salário médio dos 200 executivos mais bem pagos no ano passado foi de US$ 17,5 milhões, e que eles receberam um aumento médio de 14%. A maior parte da remuneração do CEO vem de opções de ações ou prêmios, que se destina a alinhar os interesses do CEO com os da empresa para a qual ele ou ela trabalha. Se as ações da empresa se saírem bem, o CEO se sairá bem, uma vez que suas ações serão valorizadas e, então, poderão ser vendidas pelo preço mais alto.

Mas este é o problema. A maioria das ações e opções oferecem garantias de ganhos por três anos. E se você tiver um projeto - digamos, uma implantação de RFID - que começará a se pagar apenas no terceiro ou quarto ano? Você faria o investimento sabendo que pode não atingir suas metas no primeiro ano e pode não ver o preço das ações subir como resultado das novas eficiências por quatro ou cinco anos?

Acredito - e não tenho dados concretos para comprovar isso - que os CEOs dos EUA se tornaram avessos ao risco. Eles não querem investir em projetos de tecnologia de larga escala, porque se falharem podem perder o emprego e o seu grande salário. Os investimentos em tecnologia poderiam, no curto prazo, tornar mais difícil fazer os números que Wall Street está prevendo e, se não atingirem esses números, eles sabem que o preço de suas ações sofrerá um impacto negativo.

Eu conversei com vários executivos americanos, incluindo um na semana passada que acredita que a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) poderia agregar valor aos seus negócios, mas que não consegue aprovar um financiamento. Vejo empresas na Europa adotando RFID mais rapidamente. A Europa tem uma história mais longa com RFID - os resorts de esqui usam RFID na Europa há quase duas décadas - mas também pode ser que os CEOs na Europa geralmente recebam menos (cerca de 12 a 25 vezes o salário médio do trabalhador, contra 400 a 500 vezes nos Estados Unidos).

Eu não sou contra os CEOs que ganham muito dinheiro (embora eu pagasse um salário abaixo do de mercado quando eu era o CEO da minha empresa). Certamente, há CEOs que valem o que pagam e há os dispostos a assumir riscos, mas sei que se eu pudesse ter 20 milhões de dólares em minha conta bancária apenas para fazer o que estava fazendo, eu estaria menos inclinado a assumir riscos em novas tecnologias.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

  • « Anterior
  • 1
  • Próximo »