Notas do Editor

O que RFID tem a ver com Inteligência Artificial

Fui convidado a explicar na Fiesp como identificação por radiofrequência e Internet das Coisas (IoT) se relacionam com a chamada AI

Por Edson Perin

17 de maio de 2018 - O que identificação por radiofrequência (RFID) e Internet das Coisas (IoT) têm a ver com Inteligência Artificial (AI, do inglês, artificial intelligence)? Esta foi a principal questão que me apresentou Paulo Portocarrero, diretor de telecomunicações do departamento de infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ao me convidar para participar do workshop realizado nesta quarta-feira, 16 de maio.

Responder à questão foi relativamente fácil, afinal as tecnologias de RFID e o conceito de IoT estão na base da coleta automática de informações sobre o mundo real, funcionando como possíveis geradores de "sentidos artificiais" para os sistemas de informação, como visão, audição, tato e, quem sabe, olfato e paladar. A maior surpresa foi minha ao descobrir que quase ninguém conhecia a relação histórica entre RFID e IoT.

Quando contei que o termo Internet das Coisas surgiu de uma inspiração de Kevin Ashton, então cientista do MIT, quando em 1999 investigava as possibilidades de uso da RFID para rastrear produtos do Walmart, a informação causou surpresa em muita gente. Ou seja, até aquele momento, quase ninguém na sala com quase 100 pessoas, conhecia a origem - e até mesmo o significado - de IoT.

A partir disto ficou mais fácil explicar o papel histórico da HP, com sua fábrica de impressoras de Sorocaba (SP), no desenvolvimento da tecnologia RFID no país e, por consequência, da IoT, Indústria 4.0, Big Data e outros elementos de evolução tecnológica e de negócios, que hoje já viraram jargões diários dos negócios.

Da esq. para dir.: Gustavo Gattass, da Microsoft; Edson Perin, RFID Journal Brasil; José Loyola, R2M Consultoria; Paulo Portocarrero, da Fiesp; Marcia Ogawa, da Deloitte; e José Rocha, da IBM Brasil
Apresentei outros casos de sucesso do Brasil por meio do uso de RFID e dentro do conceito de IoT, como a mineradora Vale, Oxfor porcelanas e cerâmica, Brascol moda infantil, jeans Levi’s, Sapati loja de calçados, hospital Santa Casa de Valinhos.

E ainda: Bilhete Único para transportes metropolitanos da região da Grande S. Paulo, pedágios eletrônicos como SemParar e ConnectCar, rastreamento da produção de Caju da Cione, no Ceará, e de sacas de café da Coopercam, em Minas, controle de pátio de concessionária da BMW, no Canadá, entre outras soluções brasileiras.

Também mencionei que o roubo de cargas está com os dias contados no Brasil, já que com o Sistema Brasil-ID operando, o von Braun Labs espera que surjam novos serviços baseados na mesma infraestrutura tecnológica para a cobrança de pedágios eletrônicos. Entre os novos serviços está o de segurança das cargas.

Outro caso de sucesso, publicado nesta semana no RFID Journal Brasil, foi mencionado por mim: o da Usina São Martinho, que emprega RFID no agronegócio de modo inovador e exclusivo. Com tecnologia do CPqD, a empresa realiza os processos orientados para a IoT com RFID e com rede banda larga móvel privada.

Para finalizar, mostrei como o aeroporto de Congonhas modernizou as operações de segurança com alta tecnologia. O terminal paulistano está usando RFID e RTLS (Sistema de Localização em Tempo Real) para controlar o acesso em rampa [a pista do aeroporto] e melhorar o monitoramento de ativos e equipes, com custos menores.

E concluí mostrando que todos estes casos de sucesso e os muitos outros que nem tive tempo de expor têm a ver com Inteligência Artificial, porque favorecem a automação eficiente de processos e auxiliam na tomada de decisões. Sem falar na expressiva redução de custos, mas este já é outro benefício.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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