Notas do Editor

RFID já está na rotina de muitas empresas

A identificação por radiofrequência já não é novidade para muitas companhias, devido ao uso crescente em corporações como Boeing, General Motors e HP

Por Edson Perin

17 de abril de 2018 - Está mais do que evidente que identificação por radiofrequência (RFID) deixou de ser uma grande novidade para uma parcela importante das empresas. Foi o que ficou evidenciado no RFID Journal LIVE! 2018, o maior evento mundial de RFID e Internet das Coisas (ou IoT, do inglês, Internet of Things), realizado em Orlando, nos Estados Unidos, entre os dias 10 e 12 de abril.

Atualmente, o que está sendo discutido a fundo são aspectos de negócios como o retorno sobre o investimento (ROI), ampliação dos benefícios para marketing e promoções, e também a melhoria da experiência dos clientes. A RFID não é mais uma coleção de tecnologias, mas um conceito de negócios.

Prova de que a RFID já não é novidade, a General Motors (GM) anunciou que usa RFID há pelo menos 20 anos. E agora está empregando as tecnologias RFID para tirar o máximo de sua manufatura automatizada. Robert Blankenburg, responsável pela área de ferramentas da General Motors, falou que não interessa quais são as tecnologias RFID em uso, ou seja, se são tags passivas UHF ou beacons Bluetooth Low Energy (BLE). O que interessa são os resultados obtidos.

Vale ressaltar que, em uma apresentação no evento do IEEE, que ocorreu paralelamente ao congresso do LIVE!, o especialista Sanjay Sarma, do MIT, abordou justamente o que a GM anunciou em sua experiência de empresa usuária de RFID. Ou seja, que o mais importante é integrar todos os recursos de RFID, independente da frequência etc. Os resultados são mais importantes do que as tecnologias em si. Nada mais lógico e coerente do ponto de vista dos negócios.

Outra palestra importante foi da HP Brasil, pioneira no conceito Industry 4.0 no mundo. Rafael Rapp, executivo de Supply Chain da companhia, mostrou que depois de evoluir durante anos uma plataforma de RFID que foi nomeada Exceler8, a companhia agora está levando informações quentes aos seus altos executivos por meio de uma aplicação de celular cheia de dash boards. Os recursos trazem análises de um modo fácil de ser visto e facilitam a tomada de decisões.

A Boeing também falou de suas iniciativas para manter o controle de peças e de aparelhos de uso obrigatório em aeronaves, como máscaras de oxigênio e coletes salva-vidas. John Yu, gerente geral de identificação automática da Boeing, mostrou que o controle destes equipamentos demorava mais de uma hora em cada aeronave. Com RFID, no caso tags UHF, o tempo para o mesmo processo caiu para menos de 2 minutos e com uma margem de erro próxima de zero.

Apesar de fruto da RFID, o conceito de Internet das Coisas, por sua vez, perdeu um pouco de sua força inicial, quando as fornecedoras de Tecnologia da Informação (TI), de um modo geral, passaram a divulgar que tinham sistemas para IoT. Hoje, com a "transformação digital" como buzz word ou palavra da moda, o termo IoT ficou em baixa, mas sua importância conceitual voltou para dentro das tecnologias de RFID.

Na palestra sobre a evolução do uso da tecnologia nos esportes, a RFID figurou como a ferramenta das transformações mais profundas. Phil Savage, diretor executivo do The Reese's Senior Bowl, tradicional campeonato de futebol americano do meio universitário, nos Estados Unidos, apresentou gráficos sobre a evolução dos atletas graças ao uso de tags e leitores de RFID.

Ao final da palestra, o executivo teceu considerações sobre os impactos desses avanços no acompanhamento de saúde de pessoas comuns e não apenas de atletas, o que pode representar ganhos muito maiores, melhorando a qualidade de vida de toda a população em um futuro não muito distante.

Ainda dentro do conceito de melhoria dos serviços aos cidadãos comuns, perder malas despachadas em voos pode estar virando coisa do passado. Em sua palestra, Mark Summers, executivo da área de aviação da Avery Dennison, relatou os testes que estão sendo realizados com bagagens equipadas com etiquetas de RFID. Em breve, perder malas será quase que impossível, segundo avaliou.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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