Notas do Editor

Brasil tem boas oportunidades em RFID e IoT

Além do Plano Nacional de IoT, em andamento pelo governo federal, as empresas privadas estão se destacando no uso das tecnologias para a Internet das Coisas (IoT)

Por Edson Perin

28 de fevereiro de 2018 - Há vários meses, mais de um ano, venho trabalhando com sucesso para que as autoridades do governo federal reconheçam que a identificação por radiofrequência (RFID) e o conceito de Internet das Coisas (IoT, do inglês, Internet of Things) são iniciativas já bastante evoluídas no Brasil, e não apenas atividades com menos de quatro ou cinco anos de implantações, como alguns interessados chegaram a difundir pelo mercado. Creio que já conseguimos este reconhecimento.

Sei que pode parecer utopia, mas – apesar das dificuldades inerentes à nossa política e, consequentemente, economia – realmente o Brasil está entre os melhores do mundo em soluções para automação, rastreamento, localização e outras aplicações que fazem sentido para os negócios, especialmente, no que se refere a identificação por radiofrequência (RFID) e IoT. E isto graças às iniciativas somadas dos setores privado e público.

Veja, por exemplo, que tudo começou por aqui em 2004, quando a HP passou a testar RFID em sua linha de montagem de impressoras em Sorocaba (SP). Os processos da companhia evoluíram tanto desde então que, ainda na primeira década deste século, conceitos que nem tinham sido criados e, por isso, estavam longe da moda que se tornaram hoje, como Industry 4.0 e Internet das Coisas, já tinham se tornado realidade na prática. E aqui no Brasil.

Vamos lembrar que mesmo o termo IoT, ou Internet das Coisas, nasceu de uma inspiração de Kevin Ashton, então cientista do MIT (Massachusetts Institute of Technology), quando testava o uso de tags em produtos que seriam rastreados dentro do Wall Mart. A internet e a RFID estão na base disto tudo que hoje chamamos de Transformação Digital, mas que ainda poucos conseguem ver.

Outros casos de sucesso foram se sucedendo no Brasil, apesar dos entraves, das dificuldades para importações ou mesmo erros administrativos e, claro, devido à corrupção – o maior problema do Brasil, como temos visto atualmente pelos resultados das investigações da Lava Jato e de outros tantos processos em andamento.

Para exemplificar alguns desses casos de sucesso: Bilhete Único, para pagamento de passagens na Grande São Paulo; Sem Parar ou pedágios automáticos etc. Os sistemas nasceram no Brasil e muitas empresas de fora que tentaram entrar no mercado brasileiro acabaram aprendendo como se faz com os desenvolvedores de software tupiniquins.

Vale dizer que o Bilhete Único é um dos primeiros e maiores casos de sucesso em Cidades Inteligentes de todo o mundo. Só perdemos em número de passageiros para um serviço semelhante existente na China, mas ganhamos no quesito volume de dinheiro transacionado, provavelmente porque as passagens brasileiras são mais caras – como tantas outras coisas, de carros a bananas – em comparação com outros países.

Apesar de todas as tempestades pelas quais o Brasil anda passando, desde as investigações de corrupção até o total descrédito das autoridades ainda no comando do país, estamos com boas previsões para investimentos nas tecnologias de ponta. Primeiro, porque o Brasil é um país realmente muito rico e privilegiado em termos de localização no Globo Terrestre. Afinal, não temos muitas tempestades, terremotos e o clima é bom o ano todo na maior parte do território nacional.

Outra coisa: temos demanda por novos e melhores serviços. O sucateamento do patrimônio nacional, desde ruas, saneamento básico até empresas públicas, tudo devido à má gestão do dinheiro público, gerou uma demanda que, se bem administrada por pessoas realmente competentes, trará ganhos para fornecedores de software e hardware em diversas áreas de uso da RFID.

E isto terá reflexos positivos na geração de empregos, aquecimento da economia e preparação do Brasil para uma nova de evolução e crescimento. Temos apenas reconhecer que o Brasil não é o país do futuro, mas já é o do presente. Quem não acreditar nisto perderá bons negócios.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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