Notas do Editor

DC no Brasil é Depois do Carnaval

Tem gente que fica esperando passar o reinado de Momo para então "começar o ano", mas outros já estão faturando com negócios em andamento

Por Edson Perin

1 de fevereiro de 2018 - A cultura brasileira tem muitas virtudes – e tem o Carnaval também. "Ah, não diga isto, porque é uma festa popular importante no país: uma grande celebração que marca a nossa brasilidade", dizem alguns. Cá entre nós, acho um dos períodos mais complicados para ser brasileiro, porque simplesmente não suporto o Carnaval. É uma questão pessoal, concordo. Mas vou além.

Há algo mais no tal reinado de Momo que me angustia, desde os tempos em que era jornalista de rádio, nos anos 1980 e 1990: o Brasil simplesmente não anda antes dos tais festejos. Tem gente que fica esperando o Carnaval passar para então "começar o ano". Como assim? Já estou trabalhando, sem parar, desde primeiro de janeiro...

Curioso que até o Judiciário, que entra em recesso duas vezes por ano, fez antes do Carnaval de 2018 um dos mais importantes julgamentos da História do Brasil – a condenação à prisão de um ex-presidente da República – e ainda tem gente de pijama (ou calção de banho?) em nossa Pátria Amada... Não dá para entender.

Ainda assim, em meio à leseira anual, grandes negócios com identificação por radiofrequência (RFID) têm sido realizados por pessoas que trabalham antes de se divertir. Estou com uma coleção de novos casos e pilotos para escrever, mas ainda sem autorização dos clientes dos meus amigos fornecedores, para contar as novidades.

Aliás, esta também é uma característica bem brasileira: a ideia de que se alguém souber que estou investindo em algo que acredito que será uma grande vantagem competitiva, deixarei de me beneficiar. Ainda tem gente que acredita que o segredo garante o sucesso em qualquer cenário.

Porém, existem situações em que ser o único ou um dos poucos não faz tanto bem assim. Vamos pensar em RFID, por exemplo. Quanto mais as empresas souberem dos ganhos obtidos com a tecnologia para automatizar processos de negócios, reduzir custos, aumentar eficiências, impressionar positivamente os clientes, melhorar o marketing et cetera e tal, melhor será para todos.

"Opa!? Como assim?", sempre me perguntam, quando afirmo isto. A resposta: quanto mais gente utilizar RFID, melhores serão, tecnicamente, os implantadores da tecnologia, porque haverá maior concorrência; melhores serão também os equipamentos, leitores, softwares e tags, pelo mesmo motivo; e mais baratos serão todos os insumos, porque haverá ganhos de escala.

O segredo nos negócios é importante e estratégico. Mas há, como expliquei, diferentes tipos de segredos. Não vale a pena investir em tecnologias disruptivas [esta palavra não consta ainda dos grandes dicionários da Língua Portuguesa, mas significa ruptura, no sentido de inovação] e "ficar sentado" sobre elas, fazendo de conta que não estão ali.

É como nas associações de classe: tem horas em que o seu concorrente é o seu melhor parceiro e vice-versa. O importante é saber identificar os momentos corretamente, para poder colher melhores resultados para os negócios, sozinho ou em grupo.

E, enquanto o Carnaval não chega, que tal compreender como a RFID, que é a base da Internet das Coisas (IoT), pode ajudar os seus negócios a dar um salto no Século XXI? Afinal, já estamos em 2018DC - neste caso, Depois de Cristo.

Quer uma dica? Leia as matérias do RFID Journal Brasil, afinal, você já está aqui.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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