Notas do Editor

Déjà Vu no Big Show 2018 da NRF

Como nos anos anteriores, os expositores estavam promovendo soluções que exigem que os varejistas adotem RFID antes de tudo

Por Mark Roberti

25 de janeiro de 2018 - Num ano, foi Big Data. Depois, surgiu a análise de vídeo. Daí, omnichannel. Na sequência, a experiência do cliente. Todos os anos, uma buzzword [palavra da moda] se espalha pelo evento Big Show, da National Retail Foundation (NRF), e muitos expositores afirmam ter a solução perfeita. Neste ano, todos estavam falando de inteligência artificial (AI). Parecia que metade dos expositores presentes oferecia soluções de AI para determinar o que os clientes precisam e quais produtos devem estar nas prateleiras, ou responder às perguntas dos clientes sobre isso.

Houve outro tema também: ajudar os varejistas do mundo físico a competir com revendedores online. As soluções digitais estavam em toda parte. Aparentemente, no futuro, você poderá entrar em uma loja e usar uma tela sensível ao toque para encomendar, como se estivesse em casa. Ainda não consegui descobrir por que um cliente não ficaria em casa e usaria seu próprio computador. Claramente, estou perdendo alguma coisa.

Como disse nos anos anteriores, muitas das soluções oferecidas no Big Show exigem que os revendedores instalem um sistema RFID primeiro, para serem úteis. Por exemplo, um expositor estava exibindo uma solução de AI que usava dados demográficos sobre um cliente e suas compras anteriores para desenvolver uma roupa personalizada para aquele comprador. Certo, isso é legal. Mas o que acontece quando o cliente toca o botão "comprar" na tela e verifica que um ou mais itens estão fora de estoque? Ou estão em estoque, mas não podem ser localizados? Sem dúvida, o cliente sai da loja sem comprar nenhum dos itens.

O mesmo acontece com a solução de software omnichannel em exibição no evento e as soluções de visibilidade para a cadeia de suprimentos. O software omnichannel é praticamente inútil quando você não usa RFID, porque as lojas sem essa tecnologia possuem uma taxa de precisão de inventário de cerca de 65%. Isso significa que existe uma probabilidade muito alta de que um cliente que pedir um produto online e o pegue na loja não encontrará esse produto quando chegar lá - e isso deixa o cliente desapontado.

Uma empresa estava oferecendo robôs autônomos para entregas - pequenos robôs sobre rodas que podem entregar um item para um consumidor dentro de uma faixa de 3 quilômetros. É uma ideia interessante, mas e se a loja próxima não tiver o item porque o inventário é apenas 65 por cento preciso?

Algumas dessas empresas estão antecipando que a RFID será amplamente utilizada dentro de alguns anos, o que aumentará o valor de suas soluções. Pelo menos, essas empresas estão conscientes da RFID e de quão crítico é para o futuro do varejo. Havia também demonstrações de RFID em alguns dos estandes maiores, como o da Intel, mas os participantes e expositores parecem desconsiderar este fato crucial: o grande problema dos varejistas é que os clientes entram nas lojas e não encontram o que querem comprar. É por isso que estão indo para o comércio online. Enquanto os revendedores não resolverem os seus problemas de precisão de inventário, nada mais importa.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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