Notas do Editor

Fim de ano para bons negócios

Expectativa positiva do varejo em relação às vendas de fim de ano tem estimulado empresas a investir em RFID como maneira de aumentar os lucros

Por Edson Perin

11 de dezembro de 2017 - Na semana passada, durante uma boa conversa com o diretor geral da Levi’s no Brasil, Rui de Araújo Silva, ouvi mais uma vez que a Black Friday deste ano teve uma explosão nas vendas em relação a 2016 (Levi’s testa uso de RFID com sucesso), atingindo um crescimento de 56%. No Brasil, a Levi’s importa produtos da marca, fabrica localmente 20% de tudo o que vende no Brasil e tem lojas próprias, além de fornecer para estabelecimentos multimarcas.

Um dos motivos desta expansão nas vendas gerais do varejo está sendo o reaquecimento da economia, que – segundo opiniões não ortodoxas, que já ouvi até em depoimentos ao juiz Sérgio Moro – se deve em parte ao uso ético dos recursos que eram destinados a propinas aos corruptos, gerando investimentos em algo mais do que joias caras, carros e imóveis de luxo. Trocando em miúdos, há dinheiro no mercado, o varejo voltou a vender e muitas redes de lojas resolveram investir em identificação por radiofrequência (RFID) para aumentar lucros, reduzindo custos e ganhando eficiência.

Há pelo menos duas dezenas de projetos de RFID no varejo que estou acompanhando. Alguns já alcançaram resultados e os pilotos serão em breve noticiados aqui no RFID Journal Brasil. Outra dezena de projetos está em fase de análise pelas equipes de negócios, em busca de ajustes finais para, então, se tornarem públicos. O que se pode afirmar, sem dúvida, é que a RFID conquistou o varejo no Brasil.

De grandes redes de lojas a pequenos comerciantes, está se tornando cada vez mais difícil conversar com um executivo de negócios que nunca tenha ouvido falar em identificação por radiofrequência. Até mesmo o termo Internet das Coisas (ou IoT, do inglês Internet of Things) tem sido bem compreendido, já que as empresas relacionam IoT corretamente com RFID, apesar das informações confusas e distantes da realidade que andaram circulando no mercado internacional.

Para as empresas de RFID do Brasil, há uma grande oportunidade de se fazer negócios e ganhar dinheiro inclusive fora do país, exportando sistemas. Afinal, as soluções brasileiras de software têm custos bem menores do que as oferecidas no mercado internacional. E mais: são de classe mundial, com qualidade e confiabilidade respeitadas.

Inclusive empresas brasileiras de software de gestão empresarial (ERP) como a Totvs (Totvs apresenta soluções com RFID e IoT) e a Moura (RFID Moura investe em novos profissionais) perceberam a real IoT e a importância da tecnologia RFID e estão investindo bastante em automação, com capacidade de levar esta realidade para diversos setores.

O agronegócio por exemplo, que conta com soluções tanto da Totvs como da Moura, deve ampliar seus investimentos em RFID para algo entre 11% e 12% ano a ano, de 2017 até 2021, segundo analistas internacionais. E o Brasil, como celeiro do mundo, pode até superar a média estimada.

Empresas menores que fornecem RFID para diversos setores também estão desenvolvendo soluções inovadoras com a tecnologia. Em breve, terei novidades.

Bom, de um modo geral, o encerramento de 2017 está se saindo melhor do que se esperava. Melhor do que a encomenda, como diria minha saudosa mãe. Mas, em suma, quem está no mercado com condições de implantar soluções de classe mundial não está reclamando. Possivelmente, os empreendedores brasileiros de RFID terão mais panetones na mesa de festas este ano.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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