Notas do Editor

Nem tudo está perdido

Ministério da Ciência e Tecnologia tem déficit de R$ 500 milhões, o mesmo montante que o BNDES promete investir no Plano Nacional de IoT

Por Edson Perin

24 de novembro de 2017 - O ministro Gilberto Kassab, titular da pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, anunciou nesta semana em Brasília que o MCTIC fechará este ano no vermelho em R$ 500 milhões. Imediatamente após o anúncio do déficit, fui contatado por uma empresária fornecedora de soluções para Internet das Coisas (IoT, do inglês, Internet of Things) com base em tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID). Havia um certo pânico em sua voz.

A dona da empresa de soluções IoT RFID queria saber de onde viriam os R$ 500 milhões que o governo disse ter para projetos alinhados com o Plano Nacional de IoT, conforme noticiado aqui no RFID Journal Brasil na matéria intitulada BNDES tem R$ 500 milhões também para IoT. Minha resposta? Simples, pois já está no título da matéria: os recursos virão do BNDES e não do MCTIC.

Em minha coluna anterior (leia em Mercado de RFID e IoT cresce no país), mencionei que, com o crescente número de clientes interessados em RFID como base de seus projetos de Internet das Coisas (IoT) e o aumento da oferta de soluções de classe mundial pelos fornecedores brasileiros, a expansão da tecnologia pode estar sendo maior do que o que se tem visto em muitos países, inclusive na economia norte-americana.

Por isso, é muito justa a preocupação da empresária que espera obter recursos de baixo custo ou subsidiados, para acelerar o desenvolvimento das soluções de sua empresa e, assim, ganhar uma melhor competitividade no mercado. A estratégia, segundo ela, se baseia no seguinte: os impostos já foram pagos e o dinheiro que está com o governo precisa voltar para a economia e fazer o mercado crescer.

E há mercados bombando com a RFID em diversas partes do mundo, inclusive em segmentos onde o Brasil também se destaca globalmente. Um desses setores é o do agronegócio, mercado no qual analistas preveem um crescimento perto de 12% ano a ano, de 2017 a 2021. De acordo com um estudo internacional a que tive acesso, a tecnologia de identificação por radiofrequência já foi reconhecida como a solução ideal para monitoramento e rastreamento em grandes áreas.

Duas dezenas de empresas de peso do mundo RFID foram ouvidas para compor o trabalho analítico citado acima. Entre elas, fornecedores importantes de tecnologia de ponta em identificação por radiofrequência, como Alien Technology, Honeywell, Zebra Technologies, Avery Dennison, Confidex, HID Global, Impinj, Invengo, Mojix, Omni-ID, Smartrac, Tageos, entre outras.

Aqui no Brasil, eu sei de pelo menos quatro pilotos (testes de implantação) da tecnologia RFID em iniciativas robustas do agronegócio, com vistas à IoT. Todos os projetos estão sendo realizados sob sigilo e, por isso, ainda não escrevi a respeito de nenhum deles. Mas tive acesso a algumas informações embrionárias e a chance de sucesso é grande. Um dos projetos mais inovadores, na minha opinião, tem tecnologia 100% nacional e faz o rastreamento de gado no pasto por meio de drones.

Mas há também controle de umidade do solo e acionamento automático de sistemas de irrigação, rastreamento de sacas de produtos colhidos, controle de estoques em silos etc. Todas essas iniciativas estão sendo avaliadas e melhoradas para atender clientes localmente, mas também com um olhar bastante atento para o mercado internacional, visando a exportação das soluções.

Assim, com dinheiro quase sempre de origem privada, o Brasil está crescendo bastante na área de Internet das Coisas, graças aos avanços que as empresas de RFID vêm conquistando desde os seus primórdios no Brasil, de 2004 para cá.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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