Notas do Editor

É hora de investir em RFID no Brasil

Apesar da crise, tudo indica que o dinheiro voltou a circular no país, beneficiando investimentos em diversos setores e também na identificação por radiofrequência

Por Edson Perin

25 de outubro de 2017 - Outro dia assistindo pelo Youtube ao depoimento de um acusado no processo da Lava Jato, ao juiz Sérgio Moro, ouvi do depoente algo que fez todo o sentido para mim: que o dinheiro que se destinava às propinas e à corrupção em geral ficou no caixa das empresas, graças às investigações que intimidaram os crimes, e está sendo gradualmente investido no mercado. Daí se explica, uma parte pelo menos, do motivo pelo qual a economia está melhorando, apesar da crise institucional sem precedentes no Brasil.

Também é importante notar que os ministérios estão com verbas curtas. Os repasses para deputados e senadores também diminuíram. O governo do presidente Michel Temer teve de cortar gastos, embora ainda gaste para compensar os votos favoráveis na Câmara e no Senado, o que é lamentável, mas deve ser cada vez menos fácil de ser feito a partir de agora que a sociedade caiu na real e está vendo a malandragem federal, estadual e municipal, com os olhos bem abertos.

Como o cenário global – e especialmente o brasileiro – impõe às empresas em geral iniciativas para aumentar eficiência e reduzir custos, naturalmente o investimento começou a migrar para tecnologias que agregam valor aos negócios. Diversos casos de uso e de testes estão sendo reportados para mim por empresários desenvolvedores de tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), baseados no conceito de Internet das Coisas (ou IoT, do inglês, Internet of Things).

Pode ser mesmo que seja este dinheiro que antes ia para no esgoto da sociedade que está reaquecendo o mercado. Pode ser que uma gestão mais austera do dinheiro federal também seja a base para as transformações econômicas positivas em curso. O fato é que realmente as empresas estão comprando RFID de seus fornecedores.

Estou sabendo de pelo menos duas dúzias de grandes projetos de RFID e IoT em andamento em importantes empresas brasileiras de setores como varejo em geral e no de vestuário, especificamente, manufatura, mineração e siderurgia. Mas ainda não posso contar as histórias porque as empresas que estão empregando ou testando a tecnologia e o conceito ainda não autorizaram a divulgação.

Normalmente, nos momentos de crise, as empresas param de investir para esperar o próximo momento, o que os indicadores apontarão como o futuro do mercado. Além disso, tipicamente no Brasil, os empresários são mais cautelosos e conservadores quanto a investimentos, apesar de as novas tecnologias sempre despertarem interesse e serem bem-vindas. Mas o que está se vendo agora é que há uma expectativa bastante positiva quanto a 2018 – repetindo, apesar do cenário político e institucional caótico.

Estamos realmente no melhor momento para se investir em RFID no Brasil. Primeiro, porque todas as empresas estão precisando manter a saúde financeira e comercial, economizar dinheiro e aumentar as receitas, e eu não conheço outra tecnologia com capacidade de entregar tudo isso, em pouco tempo, e com investimentos que se pagam também em curto prazo. Segundo, o mercado não vai ficar em crise para sempre e já dá sinais de estar saindo do atoleiro. Terceiro, quem estiver pronto para competir terá melhores resultados após a crise.

As empresas que estão implantando RFID já estão se colocando à frente das suas concorrentes, ainda que sutilmente, porque o mercado ainda está melhorando lentamente. Porém, as empresas que não estão melhorando nada em seus processos terão um impacto negativo muito maior quando o cenário melhorar.

Portanto, agora é a hora de escolher como e onde a sua empresa estará posicionada após a crise.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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