Notas do Editor

IoT faz governo finalmente se lembrar da RFID

Depois de muito suor, agora, o governo brasileiro parece ter se lembrado que a RFID já fazia parte inclusive das estratégias de...? Governo!

Por Edson Perin

10 de outubro de 2017 - Um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), anunciado em julho e que prevê a integração das ações de rastreamento do governo federal, finalmente voltou à pauta na semana passada, desta vez, nas mãos do ministro Gilberto Kassab. Em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o MCTIC começou a elaborar o programa para integrar todas as ações de rastreamento de produtos, bens, valores, veículos e mercadorias do governo federal.

O programa RAStro envolverá 12 ministérios, sob a coordenação do MCTIC, e contará com o apoio tecnológico da Ceitec, empresa pública vinculada ao MCTI, que desenvolve soluções para identificação automática por RFID (identificação por radiofrequência) e smartcards, e para aplicações específicas (ASICs). Ou seja, a Ceitec voltou à cena, depois de ter sido meio que esquecida no processo de criação do Plano de IoT (leia mais em O que esperar do Plano de IoT para o Brasil).

O projeto foi apresentado durante reunião em julho deste ano entre o então secretário de Política de Informática, Maximiliano Martinhão, que acaba de assumir a presidência da Telebrás, o diretor da Finep Ronaldo Camargo e o presidente do Ceitec, Paulo de Tarso Luna.

O objetivo é criar um sistema de gestão integrado de identificação, planejamento e controle por meio do rastreamento. As aplicações abrangem áreas como transporte, logística, saúde e segurança. Segundo autoridades do MCTIC, a proposta está alinhada às ações do governo, especialmente ao Plano Nacional de Internet das Coisas.

A mobilidade, por exemplo, faz parte do tema Cidades, uma das prioridades do Plano Nacional IoT. Entre os benefícios previstos, o programa poderá reduzir custos com atividades de logística; aperfeiçoar o controle do trânsito e de mercadorias nas fronteiras e rodovias do país; integrar sistemas de segurança pública; e incrementar a arrecadação tributária.

A iniciativa vai envolver diversos ministérios para expandir os sistemas de rastreamento já implantados pelo governo federal, além de incluir a iniciativa privada. A Finep atuará como agente financeiro do programa, desenvolvendo modelos de financiamento às empresas privadas e órgãos públicos envolvidos. A proposta inicial será avaliada e aprimorada em reuniões com representantes dos diversos ministérios, da Finep e do Ceitec.

Segundo o coordenador de Microeletrônica da Secretaria de Política de Informática, Henrique Miguel, o Programa RAStro será uma ampliação de sistemas de rastreamento já em funcionamento. Como exemplo, cita o Brasil-ID - Sistema de Identificação, Rastreamento e Autenticação de Mercadorias, que se baseia no emprego da tecnologia de Identificação por Radiofrequência (RFID). O projeto foi implantado em 2009, numa parceria do MCTIC, Receita Federal e secretarias estaduais de Fazenda.

Henrique Miguel reforçou que o rastreamento permite a coleta de informações importantes, que podem ter diversos usos para melhorar a oferta de serviços à sociedade. Outro fator importante é o estímulo ao desenvolvimento de tecnologias dentro do país. "A rastreabilidade é feita por meio de chips, que carregam informações sensíveis. É importante ter um mercado que permita desenvolver e fabricar componentes com tecnologia nacional, que garanta interoperabilidade e segurança".

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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