Notas do Editor

O que temos a temer?

Os investimentos em identificação por radiofrequência (RFID) continuam acontecendo no Brasil, porque representam avanço para o futuro

Por Edson Perin

10 de agosto de 2017 - Já faz alguns anos que praticamente só assisto a um canal de TV, um que se destina em tempo integral a oferecer notícias sobre o Brasil e o Mundo. Assim, enquanto a TV está ligada neste canal, fico navegando na internet em busca de mais conteúdo. Ser jornalista implica numa curiosidade fora do comum, bem acima da média.

Outro dia, assisti pelo Youtube a uma palestra de Ricardo Amorim, economista brasileiro que tem uma visão criativa sobre os movimentos do dinheiro e que, com sua análise livre, consegue trazer probabilidades e previsões com muita clareza. A partir disso, enxerguei o que pode ser o futuro do mercado de RFID no Brasil.

Uma das coisas que Ricardo Amorim fala é que o Brasil é um dos melhores países do mundo para se investir, mesmo depois de todas as trabalhadas dos nossos governantes – ou apesar delas. O que ele diz é que há muito dinheiro no mundo em busca de bons locais para se obter o famoso ROI ou retorno sobre o investimento. Assim, numa análise econômica comparando os potenciais do Brasil com os de outros países, estamos em condição de vantagem, porque somos um mercado que realmente tem potencial para crescimento.

Lógico que temos de nos livrar das quadrilhas que estão dominando o governo do nosso país sob a chancela da democracia. Assim, poderemos gerar a credibilidade que os investidores estrangeiros precisam para continuar apostando no Brasil e manter investimentos em RFID, por exemplo, pois representam avançar para o futuro.

Porém, no momento atual, com a permanência do Temer – aliás, Amorim fala que é a Escolha de Sofia, porque se está ruim com o Temer também seria ruim sem ele – temos um cenário que precisa apenas dar credibilidade ao dinheiro estrangeiro. Afinal, quando o capital externo acreditou no país, recentemente, houve uma enxurrada de recursos financeiros vindo para o Brasil.

O problema é reter estes investimentos, tornando-os parte dos ativos ou das infraestruturas. Uma das maneiras, de novo, é preparar as empresas para uma competição internacional de qualidade, com base em excelência tecnológica, como implantações de RFID. Empresas de diversos setores que estão recebendo investimentos internacionais precisam investir em tecnologia para controlar estoques ou, por exemplo, otimizar processos de venda multicanal.

Tenho notícias das empresas brasileiras que implementam RFID de que a demanda continua em alta, apesar de tudo. Há companhias fornecedoras novas ou as antigas que estão querendo ampliar suas áreas de RFID, porque enxergaram que o caminho natural para a Internet das Coisas (ou IoT) passa justamente por esta tecnologia. Além disso, muito para o mercado pode ser feito pelo próprio mercado. E é isto o que as empresas reconhecem quando colocam em prática, por exemplo, uma associação como a ABRFID (Associação Brasileira da Indústria de Identificação por Radiofrequência).

Educar, dar segurança, mostrar que há massa crítica no mercado: todas estas são atividades necessárias para fazer a RFID decolar no Brasil e no mundo. E agora, mais do que isso tudo, precisamos dar equilíbrio ao mercado e mostrar que os recursos externos ao país serão recompensados com boa rentabilidade.

Na economia mundial, só faz sentido investir em mercados nos quais se possa confiar. Ou seja, os de baixo risco e alto rendimento. E o Brasil tem ainda como voltar a liderar esta lista de poucos países.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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