Notas do Editor

Os correios do futuro

O sistema postal das Nações Unidas, ou UPU, requisitou um importante fornecimento de hardware RFID que termina na próxima sexta-feira; corra!

Por Edson Perin

25 de julho de 2017 - A Universal Postal Union (UPU), agência especializada das Nações Unidas (ONU) que coordena as políticas postais entre os países membros, emitiu um pedido de propostas para a aquisição de equipamentos de identificação por radiofrequência (RFID) UHF, que foi divulgado aqui no RFID Journal Brasil (leia mais em Pedido de proposta: Universal Postal Union).

O pedido, que vence na próxima sexta-feira, dia 28 de julho, diz que o hardware a ser fornecido servirá para monitorar os itens postais em tempo real nas instalações operacionais onde o tráfego postal é recebido e processado.

Porém, nos bastidores disto estão os Correios do Brasil, empresa escolhida entre outras de todo o planeta para testar o futuro sistema global de Internet das Coisas (IoT), com base na tecnologia RFID, que em poucos anos será a máquina global de distribuição de cartas e encomendas. O assunto ainda é tratado com muito sigilo pelos Correios e pela UPU, porque será um dos maiores casos de RFID do mundo, demandando uma (enorme) quantidade de tags, leitores e sistemas.

Imagine a concorrência que isto irá gerar. Por isso, tanto sigilo.

Por que escolheram os Correios do Brasil, justamente no momento em que o nosso país está no meio de uma crise que mistura falta de ética, instituições de Estado, políticos e criminosos, de um modo sem precedentes no mundo? Simples: primeiro, um dia a crise acaba; segundo, o mercado continua funcionando apesar da crise; terceiro, os Correios operam em um gigante território que tem como benefício uma padronização total de processos, além de ter zero em termos de barreira de idioma, impostos etc.

Numa frase só: os Correios operam em um cenário excelente para se testar as mudanças de processo que a adoção da nova tecnologia exigirá.

Já a UPU, que foi fundada na Suíça em 1874 para estabelecer um único território postal para o intercâmbio recíproco de itens de carta-postagem, pretende adotar o novo sistema nos 192 países membros, depois dos testes no Brasil. A agência especializada, que tornou-se parte da ONU em 1948, fornecerá aos seus países membros os equipamentos RFID necessários, que basicamente consistem em um leitor de RFID e uma fonte de energia, bem como uma antena alojada em um gabinete protetor de fácil instalação. Padrão? GS1!

Podem ser conectadas antenas de RF adicionais à unidade principal. Esses componentes serão oferecidos separadamente em um kit modular ou integrados em uma estrutura compacta para serem instalados, dependendo do cenário postal.

Tomara que esta iniciativa tenha também fornecedores brasileiros se beneficiando.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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