Notas do Editor

País tem mais projetos de RFID do que divulga

Muitas empresas ainda não perceberam que há um ganho bastante grande em divulgar o uso da tecnologia que está na base da Internet das Coisas

Por Edson Perin

19 de julho de 2017 - Nas últimas semanas, fui lembrado e procurado por um número de pessoas bem acima da média. Vieram me consultar por email, pessoalmente, pelo "fora de moda" telefone e até pelo "moderninho" Whatsapp. As consultas foram principalmente de executivos e empreendedores em busca de sugestões sobre modelos de negócios para empresas fornecedoras de tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), além de ideias para projetos e visões sobre oportunidades no mercado brasileiro de Internet das Coisas (IoT).

Em todos os casos, como sempre, tentei apresentar provas aos meus argumentos tendo como base as matérias publicadas no próprio site do RFID Journal Brasil e, assim, ajudar executivos e empresas em suas demandas. Mas o que mais me chamou a atenção foi a grande quantidade de casos de uso da RFID muito interessantes e até inovadores, mas que as empresas simplesmente escondem, porque ainda não perceberam que há um ganho bastante grande em divulgá-los.

Do Oiapoque ao Chuí, há uma enormidade de casos de uso de RFID bem sucedidos que passam por empresas de comércio varejista e de atacado de vestuário, incluindo fábricas, indo a soluções para a manufatura em geral e até emprego no agronegócio. A maior parte fica na surdina, como dizia o meu saudoso pai, Hélio Perin, um grande profissional de vendas.

E por que estes casos de sucesso ficam mantidos em segredo, ou seja, na surdina?

Em primeiro lugar, algumas empresas acham que a RFID é uma estratégia que deve ser mantida em segredo, para que os seus concorrentes não percebam os benefícios que a implantação da tecnologia oferece nos negócios, especialmente o Retorno sobre o Investimento (ROI, do inglês). Em muitos casos de uso, o investimento em RFID pode retornar em poucos meses e os usuários querem impedir – como se isto fosse possível – que seus concorrentes tenham benefícios.

Acontece que quanto mais empresas souberem usar RFID e adotarem a tecnologia em seus negócios, menores ficarão os custos das tags, etiquetas, implantações e até de alguns equipamentos, devido ao aumento da escala de produção. Além disso, com mais empresas utilizando a tecnologia, melhores serão os serviços dos seus fornecedores, que ganharão mais experiência nas configurações da identificação por radiofrequência.

Aqui, devemos nos lembrar que a RFID se compõe de RF (radiofrequência) e ID (identificação) e que os analistas de sistemas entendem tudo de ID, mas não têm formação específica sobre RF, que é uma característica de carreira dos engenheiros eletrônicos e eletricistas. Portanto, não é qualquer empresa de Tecnologia da Informação (TI) que tem o preparo ideal para implantar os projetos.

Outro benefício do uso massivo de RFID atende aos interesses dos próprios fornecedores, que passam a ser reconhecidos no mercado como realizadores de projetos de sucesso em seus clientes. Assim, como efeito, as empresas passam a ser procuradas pelas características das implantações que costumam fazer com mais frequência.

Acontece que – e aqui vem o segundo lugar – muitas empresas fornecedoras da tecnologia RFID se esquecem de pedir para os seus clientes autorizarem a divulgação dos cases após as suas implantações. Assim, eu, como editor do RFID Journal Brasil, acabo nem sendo informado sobre muitos dos cases a que tive conhecimento somente nos últimos dias e semanas.

Isto é uma questão cultural de mercado, não só do Brasil, que precisa ser modificada no mindset (modo de pensar) dos empresários e empreendedores. Aliás, todos saem ganhando com a maior divulgação dos cases de sucesso, inclusive podendo participar de premiações, por exemplo.

Espero poder divulgar o seu caso de sucesso em breve. Para isso, basta enviar um email para mim.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

  • « Anterior
  • 1
  • Próximo »