Notas do Editor

Amazon quer revolucionar comércio físico

O recém-inaugurada loja conceito Amazon Go parece usar RFID, vídeo, Bluetooth e inteligência artificial para permitir que compradores entrar em uma loja, pegar itens e sair

Por Mark Roberti

12 de dezembro de 2016 - Na semana passada, a Amazon virou notícia mais uma vez com a introdução da Amazon Go, uma loja conceito que elimina completamente o ponto de venda. A loja está atualmente aberta apenas para funcionários da Amazon em uma torre de escritórios de Seattle que abriga a empresa, mas planeja abrir o espaço para o público no próximo mês.

Os clientes digitalizam um código QR em seu smartphone e entram na loja, permitindo que a loja os identifique. À medida que percorrem os corredores pegando itens, esses produtos são automaticamente associados à sua conta, presumivelmente através de uma combinação de análises de vídeo e Bluetooth. Um vídeo lançado pela Amazon alega ter "proporcionado a mais avançada aprendizagem de máquina, com visão de computador e inteligência artificial na própria loja, para que você nunca tenha que esperar na fila".

O vídeo não menciona a identificação por radiofrequência formalmente, embora um pedido de patentes feito pela Amazon detalhe um sistema que usa RFID para detectar quando um cliente remove um item de uma prateleira e, em seguida, vincula esses dados a um dispositivo portátil.

A Amazon até agora se recusou a falar com nossos repórteres sobre a tecnologia por trás da Amazon Go, embora nos tenha dito que pode estar mais preparada para compartilhar detalhes em janeiro, depois que a loja estiver aberta e operando para o público. Meu palpite é que a empresa pode estar misturando uma variedade de tecnologias para atingir seu objetivo.

Existem sistemas que usam pulsos imperceptíveis de luz refletida de objetos para permitir que sejam identificados. Estes poderiam ser usados em vez de RFID para detectar quais itens os clientes pegam. Bluetooth poderia ser usado para confirmar quem está de pé na frente de uma prateleira em particular, enquanto análise de vídeo e inteligência artificial poderiam determinar qual dos dois ou três compradores pegaram o item.

Se a RFID não for usada para determinar que produto foi pego, o sistema poderá se tornar menos barato. Além de o tornar menos útil, uma vez que a empresa não seria capaz de contar inventário de forma rápida e eficaz, embora a análise de vídeo possa ajudar a identificar itens que estão fora de estoque em uma loja de conveniência. Aliás, não seria possível fazer isso em uma loja de vestuário, já que o vídeo não pode indicar a diferença entre as camisas pequenas, médias e grandes dobradas em uma prateleira.

Independentemente da tecnologia que está sendo usada, o sistema Amazon Go pode representar uma mudança de jogo para varejistas físicos e para a indústria de RFID. Lembre-se, a Amazon foi a empresa que tem usado para a ideia de que você poder acessar o seu computador no mundo todo, encomendar algo e receber em alguns dias, sem ter de sair de casa. Isso não parece revolucionário hoje, mas certamente foi quando a Amazon introduziu a ideia.

Se a empresa agora faz com que as pessoas se acostumem com a ideia de que devem ser capazes de entrar em uma loja, encontrar o que querem e sair sem ter que ficar em fila, cada varejista terá de se adaptar à mudança de expectativas dos clientes. A RFID certamente será necessária para tornar esses sistemas reais em diversos formatos de varejo.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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