Notas do Editor

Metas corporativas passam por tecnologia

Apesar da crise econômica e institucional brasileira, algumas fornecedoras de RFID alegam ter feito bons negócios neste ano

Por Edson Perin

8 de dezembro de 2016 - A economia brasileira parecia extremamente promissora no começo desta década. As expectativas eram positivas diante da proximidade de eventos como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, que deveriam impulsionar ainda mais os negócios e o Produto Interno Bruto (PIB). Já havia preocupação com os casos de corrupção, o julgamento do Mensalão e coisas relacionadas, mas nem se fazia ideia do que ainda ocorria nos bastidores e quanto isto nos custaria no futuro – ou seja, hoje, quando estamos pagando esta conta com juros e correção monetária. Só mesmo agora, acompanhando a Operação Lava Jato, estamos entendendo o que ocorria na surdina.

O cenário real veio à tona paulatinamente em 2014, 2015 e neste ano, devido às investigações e principalmente pelos efeitos da má gestão da coisa pública. Chegamos a 2016 com um cenário de perdas bastante grande, tivemos o impeachment de Dilma, a posse de Temer e as oscilações do Congresso e também do STF. Apesar da desaceleração da economia, de um desemprego recorde e de uma sinalização muito tímida de providências a serem tomadas, os investimentos não cessaram em algumas áreas. Um exemplo é o segmento de identificação por radiofrequência (RFID).

Algumas provedoras de tecnologia acreditam que devido à crise tiveram um aumento nos pedidos para explicar os benefícios da RFID. Afinal, companhias de diversos ramos de atuação passaram a considerar a identificação por radiofrequência uma possível alternativa para reduzir os seus custos e aumentar eficiências em meio ao momento difícil. Eu mesmo fui consultado por duas ou três grandes companhias que queriam saber mais sobre casos de sucesso que mostrassem retorno de investimento em prazos inferiores a seis meses. Ainda não estou autorizado a contar as histórias com nomes e resultados, mas os últimos dados a que tive acesso dessas implantações são promissores.

Em outros casos, usuários corporativos de RFID influenciaram seus fornecedores e até clientes com os benefícios que conquistaram, estimulando assim o interesse de outras organizações por conhecer mais sobre a tecnologia e realizar seus próprios testes e pilotos. Houve ainda empresas que, preocupadas com os investimentos em RFID de companhias concorrentes estrangeiras, decidiram acompanhar estas tendências para conquistar mais competitividade quando a tormenta econômica tupiniquim se encerrar.

Alguns destes testes e pilotos que já evoluíram e ganharam maturidade foram apresentados em matérias aqui no RFID Journal Brasil, como os casos bem sucedidos da porcelanas Oxford (leia mais em Oxford atinge ROI de RFID em 12 meses), iniciado em 2014, bem quando a economia brasileira passou a enfrentar seus maiores desafios, ou da grife de sapatos feitos à mão Sarah Chofakian (leia mais em Sapatos feitos à mão e com alta tecnologia) ou ainda da confecção Hermitex (leia mais em Fábrica reduz tempo para inventário em 70%).

Como citei anteriormente, há outros casos que ainda não posso mencionar e outros que ainda requerem maior apuração para contar suas histórias em matérias futuras, aqui no RFID Journal Brasil.

Além de tudo isso, tive uma conversa que retrata bem este movimento do mercado brasileiro rumo a uma adoção maior de RFID. O executivo de uma desenvolvedora da tecnologia no país disse que investiu nos Estados Unidos para atrair clientes de fora, mas que hoje, apesar da crise, está conseguindo boas vendas localmente.

Pelo que parece, nem tudo está perdido. Ou, pelo contrário, há muito a se fazer com RFID no Brasil, mesmo com este cenário confuso que, às vezes, se torna até desanimador. Mas, como me dizia um velho amigo que já se foi, "é nestas horas que podemos facilmente separar os homens dos meninos", numa referência ao valor da maturidade e da persistência. Afinal, quem disse que ficar mais velho não é bom? :)

E me antecipo: desejo a você, prezado leitor, que 2017 seja bem melhor do que os melhores anos que você consiga lembrar. Porque, mais do que se levar pelas expectativas de gurus, economistas ou analistas, o que realmente nos projeta para o futuro é a nossa garra e vontade de vencer. Muito sucesso para você!

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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