Notas do Editor

Sapatos prontos para RFID

Empresas do setor calçadista brasileiro estudam uso da RFID para reduzir custos, ampliar eficiência e impedir evasão de mercadorias

Por Edson Perin

21 de outubro de 2016 - Nesta semana, tive uma experiência incomum na minha rotina. Normalmente, as empresas me chamam para discursar sobre identificação por radiofrequência (RFID), dar palestras sobre os benefícios das tecnologias aplicadas aos negócios e para falar sobre casos de uso. Desta vez, no entanto, fui chamado para assistir às apresentações de duas empresas fornecedoras de RFID a um grupo de empresários que já sabem o que querem da RFID: só precisam descobrir como alcançar os resultados.

Os presentes, todos animados com o assunto, são membros de uma associação brasileira de empresas do varejo calçadista. E o objetivo deles era conhecer as soluções que duas desenvolvedoras de tecnologia RFID tinham para apresentar.

Ao final da reunião, fiquei com a impressão de que, se ainda há mercados que desconhecem largamente a RFID e seus benefícios, outros setores – como o calçadista (e não me lembro de outro agora) – têm muito mais preparo para adotar as tecnologias em massa. E até estão preparados para realizar ações e fazer investimentos que favoreçam um grupo e não apenas uma só empresa.

A discussão podia ter se resumido em como funcionam as tags ou se os produtos podem ser rastreados e localizados dentro de um espaço físico qualquer. Sim, todas essas questões também foram feitas e respondidas. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de que os empresários pensam em acordos com os fabricantes para colocar as tags nos sapatos já no processo de manufatura.

“A tag pode ser posta na palmilha ou mesmo na língua dos sapatos”, disse um empresário, “o que interessa é que esta seja lida na minha loja ou em qualquer outra, com a mesma simplicidade e eficiência”. Não são todos os setores que estão discutindo isto para todas as empresas do mesmo segmento, ampliando os ganhos de escala como meta coletiva.

Se a iniciativa vingar, será uma grande história a ser contada. Primeiro, porque as empresas se uniram para implantar uma tecnologia com padrões de mercado – no caso, estão planejando fazer as soluções alinhadas com o EPCglobal da GS1 – e, segundo, porque a economia numa implantação dessas tende a ser muito maior, afinal, as empresas negociarão a compra das tags em larga escala, reduzindo custos, sem falar no desenvolvimento de soluções, implantação e manutenção, em massa, também com preços melhores.

As perspectivas para os empresários do setor calçadista brasileiro são animadoras no que se refere ao uso de RFID e nos benefícios que a tecnologia irá entregar para os negócios. Vou continuar acompanhando este movimento de perto e, espero, devo ter boas notícias para contar daqui em diante sobre o uso de tags nos sapatos vendidos no Brasil.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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