Notas do Editor

Internet das Coisas, RFID e negócios

Os sistemas de informação se baseiam em computadores ainda cegos, surdos e mudos, que trarão uma nova realidade de produção assim que passarem a usar sensores

Por Edson Perin

5 de outubro de 2016 - Desde que comecei a ir fundo na cobertura jornalística de Tecnologias da Informação para Negócios, nos primórdios dos anos 1990, uma das coisas que sempre me chamaram a atenção eram os nomes marqueteiros dados para tipos de aplicações e soluções de TI recém-lançadas. Não eram os nomes dos novos produtos em si – sempre criativos também –, mas de classificações ou conceitos, nos quais poderiam ser inseridos. Muitas vezes, os tais conceitos eram renomeados para incluir a ideia de uma nova onda, uma espécie de palavra da moda ou, em inglês, “buzzword”.

Um dos exemplos mais marcantes envolve as aplicações chamadas de “on demand” (ou “sob demanda”, em inglês), que depois evoluíram para “as a service” (como serviço), chegaram depois ao termo “SaaS”, acrônimo para “software as a service” (software como serviço, ou sob demanda), que hoje também se enquadra no conceito de “nuvem” (TI, em geral, sob demanda pela internet). Seria a Internet das Coisas uma buzzword?

À primeira vista, a Internet das Coisas parece ser um desses termos da moda, que chegam para educar o mercado para uma nova etapa evolutiva das tecnologias e alavancar as vendas de aplicações e sistemas inovadores da indústria de TI. No entanto, a Internet das Coisas ou IoT (que vem do inglês “Internet of Things”) envolve muito mais impactos na sociedade e no mercado globalmente do que se pode imaginar sob um olhar superficial.

E por que? Porque traz em si uma profunda transformação no modo como, não apenas vemos a oferta de tecnologia, mas principalmente faremos – e já estamos fazendo – negócios no Século XXI. A IoT representa uma automação muito maior do que já vimos até agora e impactará desde o posto de cobrança de pedágio nas estradas, como já temos visto no Brasil com o SemParar e ConectCar, chegando ao interior das fábricas, que passarão a personalizar mercadorias sem deixar de produzi-las em massa.

“Mas, afinal, o que é então a Internet das Coisas?” – muita gente me questiona, especialmente quando falo em minhas palestras que a RFID está na base do conceito de IoT. A minha resposta começa pela origem do nome. Internet das Coisas foi o termo encontrado por Kevin Ashton, do MIT, para definir em 1999 a visão que teve sobre a evolução do uso da identificação por radiofrequência (RFID) nas cadeias de suprimentos das empresas, enquanto ajudava o Walmart a automatizar a contagem de estoques e a distribuição de mercadorias por meio de etiquetas inteligentes, com chips de silício (RFID passiva UHF).