Notas do Editor

Internet das Coisas e o mundo físico

Sendo os computadores cegos, surdos e mudos, temos de conectá-los a sensores para que possam responder dentro do programado, com base em informações reais

Por Edson Perin

8 de setembro de 2016 - Na semana passada foi lançado o livro "Internet das Coisas sem mistérios: uma nova inteligência para os negócios", escrito pela grande amiga e PhD em engenharia elétrica Renata Rampim de Freitas Dias, editado pela Netpress Books e com apoio do HP RFID Center of Excellence.

A obra, apresentada pela primeira vez no evento IoT Latin America, aborda a Internet das Coisas (ou IoT, do inglês Internet of Things) aplicada, com diversos casos de sucesso nos negócios e informações sobre as tecnologias disponíveis. Um dos exemplos de uso de IoT nos negócios é o projeto de identificação por radiofrequência (RFID) da HP Brasil chamado Smart Shelf, um armário inteligente para vender cartuchos de tinta para as impressoras da companhia.

O que chamou a minha atenção no evento onde ocorreu o lançamento da obra pioneira foi justamente o fato de muitos especialistas e palestrantes falarem de IoT e dos usos de seus dados em sistemas de análise e tomada de decisão, sem explicar nada sobre como estes dados são transportados do mundo físico para o virtual. Isto me fez crer que o livro da Renata Rampim será um sucesso, já que muitas pessoas precisam lê-lo – até alguns “gurus” – para que possam dimensionar melhor a complexidade da IoT e seus desafios.

Mark Roberti, fundador e editor do RFID Journal, estava no Brasil na semana passada, porque ambos fomos convidados para palestrar no evento, e, por isso, também assistimos a várias palestras e conversamos com várias pessoas sobre IoT e RFID. Além disso, nos falamos muito entre nós mesmos, é claro, e ficamos com uma forte impressão de que há uma confusão intrínseca sobre os papeis exercidos pelos conceitos e, por outro lado, pelas tecnologias. Ou seja, poucos parecem perceber que conceitos – como IoT – não são tecnologias, mas – como no caso da IoT – dependem destas.

Importante que se entenda, primeiro de tudo, que os computadores são cegos, surdos e mudos, o que os torna completamente alienados da realidade que os cerca. Assim, os sistemas precisam ser conectados a sensores para que possam identificar o que acontece no mundo real e realizar tarefas previamente programadas. Há uma infinidade de opções tecnológicas para isto e Renata as aborda em seu livro. Porém, a mais efetiva tecnologia e com custos mais baixos é a RFID passiva UHF. E isto pode ser demonstrado facilmente pela enorme quantidade de casos de uso e de sucesso publicados neste site RFID Journal Brasil, por exemplo, que revela novas implantações de RFID dentro e fora do país, diariamente.