Notas do Editor

RFID, produtividade e trabalhadores

Alguns veem os grandes ganhos de produtividade que a RFID pode trazer como uma ameaça para o emprego e os salários dos trabalhadores, mas a realidade é complexa

Por Mark Roberti

30 de agosto de 2016 - Em artigo publicado há duas semanas no The Wall Street Journal, eu citei vários exemplos de empresas que estão usando a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) para melhorar drasticamente a produtividade (veja em The Wall Street Journal publica visão sobre RFID). Isto, para mim, é uma coisa boa, mas algumas pessoas expressaram opiniões diferentes nos comentários.

Veja um exemplo: "assim como os códigos de barras deram maior eficiência e reduziram empregos, a RFID fará o mesmo. O aumento da produtividade é igual a menos pessoas para fazer o mesmo trabalho".

Pode parecer uma contradição, mas a história tem nos mostrado que o aumento da produtividade traz mais empregos e salários mais altos. Vamos olhar para a indústria de automóveis para ilustrar o que estou dizendo.

Em 1908, um Ford Modelo T custava US$ 825 ou cerca de US$ 21.000 em dólares de hoje. A Ford Motor Co. produziu 12.000 unidades naquele ano. A empresa mudou-se para uma nova fábrica em 1910 e novas máquinas e processos de produção aumentaram a produtividade dos trabalhadores em oito vezes em 1914 (o tempo necessário para produzir um único carro foi reduzido de 12,5 horas para cerca de 90 minutos). A Ford produziu 300.000 carros no ano, mais de 500.000 em 1916 e mais 1,3 milhões em 1922.

Em 1924, o custo de um Modelo T havia caído para US$ 260, ou cerca de US$ 3.000 em dólares de hoje. Mas à medida que a produtividade melhorava e os preços caíam, a Ford não eliminava o pessoal, em vez disso, contratava mais. Na década de 1930, uma planta empregava mais de 100.000 trabalhadores. A maior produtividade permitiu à Ford reduzir os preços e vender mais veículos e a empresa contratou trabalhadores adicionais para fazer mais carros. A famosa Ford pagava US$ 5 por dia – o dobro do salário de outros trabalhadores de fábrica naqueles dias.

Pode-se dizer que aqueles dias eram diferentes, pois eram os primeiros dias da Revolução Industrial e novos mercados massivos emergiam para todos os tipos de itens que estavam sendo produzidos em novas fábricas. E isso é verdade. A RFID pode não levar a mercados inteiramente novos que se abrem, mas acho que o ponto é que os maiores aumentos de produtividade aumentam salários e produzem novos postos de trabalho.

Tome o exemplo da Macy's, que citei no meu artigo no The Wall Street Journal. O fato de a varejista ter agora um inventário de 7.000 itens a cada hora, em comparação com apenas algumas centenas de códigos de barras, não significa que vai despedir trabalhadores. Pelo contrário, significa que aqueles trabalhadores vão se tornar mais produtivos. E se a Macy’s pode vender mais itens porque agora pode repor de forma eficiente e garantir que as mercadorias estejam nas prateleiras quando os clientes querem comprar, a empresa deve aumentar os lucros, permitindo potencialmente pagar salários mais altos.

A RFID pode também criar novos postos de trabalho. O poder de a Macy’s, por exemplo, contratar trabalhadores adicionais para enviar artigos diretamente da loja ou para colocar produtos nas prateleiras prontos para os clientes pegarem nas lojas faz parte da estratégia omnichannel da varejista.

A nova tecnologia poder eliminar alguns postos de trabalho. A Ford colocou todos os fabricantes de buggy fora do negócio e a RFID tem tido um impacto sobre, por exemplo, o número de pessoas empregadas para cobrar pedágios nas estradas do mundo. Mas se a história dá exemplo, muito mais empregos foram criados do que perdidos.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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