Notas do Editor

RFID entra nos planos de negócios brasileiros

Integradores de TI locais estudam estratégias de entrada no mercado de identificação por radiofrequência para atender demandas de clientes, mas precisam tomar cuidados

Por Edson Perin

30 de junho de 2016 - Na semana passada, escrevi em minha coluna que mais e mais empresas brasileiras estão investindo em tecnologias de identificação por radiofrequência (RFID), mesmo em meio ao cenário de crise ao qual o país foi inserido progressivamente nos últimos anos (leia mais em Varejo brasileiro investe mais em RFID). O texto resultou de dezenas de conversas que tive com fornecedoras de RFID nos últimos tempos, incluindo quem trabalha com tags e leitores ou mesmo integradores de sistemas e desenvolvedores de software nesta área.

Nesta semana, quando fui conversar pessoalmente com um executivo de uma fornecedora de sistemas de gestão empresarial (ERP), especializada em um segmento específico de varejo no Brasil, percebi que há realmente uma enorme demanda para se encontrar fornecedores de RFID. E isto nasce das áreas de negócios de muitas empresas interessadas em investir na tecnologia, muito mais do que nos departamentos de TI. Mas é na TI que os executivos e empresários das áreas de negócios estão buscando respostas. E a TI acaba pedindo informações para seus fornecedores mais próximos e confiáveis.

Já venho acompanhando há alguns meses uma iniciativa inovadora que esta desenvolvedora de ERP vem promovendo e que se consolidou em abril para ganhar aprendizado no uso da RFID nos negócios e, assim, atender à demanda crescente de suas empresas-clientes. Este caso integra uma categoria de empresas de Tecnologia da Informação (TI) que estão entrando agora no mundo de RFID para oferecer soluções aos seus clientes, que já pressionam em busca de quem desenvolva um projeto, implante a tecnologia e depois dê suporte. Porém, há desafios.

São pelo menos dois os aspectos que eu gostaria de comentar sobre este movimento de busca entusiasmada por RFID. Primeiro, as empresas potencialmente usuárias da tecnologia querem investir em soluções que as tornem mais competitivas ao sair da crise. E a RFID entra nesta categoria de investimentos, porque apresenta este potencial e já se tem uma percepção disseminada de que a tecnologia traz eficiências e melhorias importantes para os processos empresariais.

O segundo ponto revela que os clientes que querem investir em identificação por radiofrequência estão pesquisando se seus fornecedores de TI estão prontos para fornecer a tecnologia, porque já têm relacionamento com estes. E aqui entra um desafio importante: como costumo afirmar em minhas palestras em diversos eventos, a RFID tem duas metades: RF e ID. O ID tem tudo a ver com análise de sistemas e está no escopo dos profissionais de TI, porque envolve o processamento de dados. A RF, no entanto, oferece exige gente especializada e assusta a turma de TI. Com RF, não tem plug-and-play.

Diante disto, fica muito evidente que as parcerias são a melhor estratégia para que se possam colher estas oportunidades de negócios e realmente entregar o potencial de competitividade que os futuros clientes estão procurando, sem decepcioná-los. Já existem algumas fornecedoras de RFID no mercado brasileiro que se especializaram em trabalhar dentro do conceito de parceria. E isto é muito bom.

Há inclusive de se desenvolver mais esta visão empresarial no Brasil, bem retratada pelo espírito da “coopetição” – junção das palavras cooperação e competição. Tenho defendido que esta tem sido uma das forças do mercado de TI e que torna as empresas mais internacionalizadas, especialmente as dos Estados Unidos, muito bem-sucedidas. Ou seja, os players têm de saber a hora de competir e a hora de cooperar entre si, porque uma empresa sempre depende de alguma coisa que a outra desenvolve – e sabe disto.

Aqui no Brasil, onde cubro o setor de TI há três décadas, conheci alguns casos de competição sem cooperação que, obviamente, prejudicaram os clientes compradores. Mas também enterraram a reputação de algumas empresas locais que – por excesso de “gula” – não foram capazes de equilibrar as suas habilidades com as de outras empresas com competências complementares. Faltou uma meta muito clara e objetiva: entregar o que o cliente quer. Assim, no meu ponto de vista, ser “coopetitivo” chega a ser tão importante quanto ser bom – ou excelente – no que se faz.

Em suma, as empresas de TI que estão sendo abordadas por seus cliente com o intuito de dar um passo definitivo rumo ao futuro dos negócios, conciliando ganho de eficiência, aumento da lucratividade, eliminação de brechas onde vazam perdas de receitas e se preparando para entrar definitivamente no futuro dos negócios, com olhos na Internet das Coisas (IoT) cuja base é a RFID, têm de procurar parceiros para isto. Esta é a melhor estratégia de sucesso, pois permite entregar o que o cliente procura e, assim, mantê-lo satisfeito e pronto para novos investimentos nesta área.

Uma boa notícia para as empresas que buscam parceiros de RFID no Brasil é que aqui neste país está um grande conhecimento nesta área de identificação por radiofrequência, muitas soluções desenvolvidas com qualidade de primeira linha para competir no mercado internacional e um enorme potencial de entrega reprimido – especialmente pela tempestade na economia brasileira.

Por isso, encorajo você a observar melhor os banners de anunciantes deste site e a ler mais as matérias e reportagens que escrevo sobre as implantações e cases do Brasil. Esta será, com certeza, a melhor fonte e maneira de encontrar o parceiro ideal que você procura para o seu projeto de RFID. Em alguns casos, o principal fornecedor mundial de RFID para um determinado segmento ou o que você diretamente atua, por exemplo, tem CNPJ e come arroz com feijão – que, cá entre nós... como está muito caro!!! R$15 o quilo? Como assim, torcida brasileira?

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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