Notas do Editor

Varejo brasileiro investe mais em RFID

Semana após semana, um novo caso de sucesso com identificação por radiofrequência mostra que as empresas do Brasil não querem deixar os seus benefícios para depois

Por Edson Perin

24 de junho de 2016 - Mais e mais empresas brasileiras estão investindo em tecnologias de identificação por radiofrequência (RFID), mesmo em meio ao cenário de crise ao qual o país foi inserido progressivamente nos últimos anos. Em conversas mais recentes com diversas empresas fornecedoras de tags e leitores ou mesmo integradores de sistemas e desenvolvedores de software, o que tenho testemunhado tem sido um investimento contínuo e crescente por parte das empresas usuárias principalmente nos dois últimos meses, sejam grandes ou pequenos varejistas e até algumas companhias de outros segmentos de negócios, como saúde e manufatura.

O curioso para mim – que acompanho rotineiramente os movimentos do mercado, conversando periodicamente com fornecedores e também muitas empresas que pretendem ou já estão testando RFID – tem sido uma sequência de fatos e seus respectivos impactos no mercado. No começo do ano, as empresas fornecedoras e também as usuárias ainda estavam cheias de receios, considerando que o cenário político e econômico do país não estava favorecendo em nada os negócios locais, por isso, não viam uma continuidade nos investimentos em RFID ou mesmo nos estudos para adoção das tecnologias relacionadas.

Muitas empresas fornecedoras, para se ter uma ideia, fizeram esforços para exportar e passaram a enxergar a Flórida, nos Estados Unidos, como foco de novos investimentos com vistas ao futuro e permanência no mercado. As empresas que foram para fora do Brasil não têm do que reclamar – pelo menos os três casos que conheço mais de perto –, mas isto não pode ser visto como uma estratégia simples para nenhuma empresa local.

No entanto, uma virada começou há cerca de um mês, coincidindo com o afastamento da presidente Dilma. Vários empresários, especialmente varejistas, passaram a considerar investimentos para competir melhor no mercado, caso a economia passasse a se reerguer, mesmo que lentamente. O que apurei foi que as sinalizações de queda na taxa de câmbio do dólar conciliadas com a valorização das ações nas Bolsas de Valores, toda vez que o afastamento de Dilma se tornava possível, fizeram com que empresários voltassem a apostar na melhora do cenário de negócios e retomassem planos de ampliar a competitividade.

Existe uma consciência já bastante difundida de que, em cenários de crise, aqueles (ou aquelas empresas) que investirem para competir melhor quando o mercado voltar a crescer sempre se saem bem, no final das contas. Lógico, que não se podem gastar os recursos de segurança para sobreviver à tempestade, mas sempre se deve considerar que as empresas internacionais e a tecnologia de um modo geral continuam evoluindo mesmo quando o Brasil sozinho passa por mais uma de suas crônicas sensações de que o fim do mundo está próximo. Quem viveu os anos 1980 sabe do que estou falando...

Resultado: além de muitos novos casos de sucesso que venho relatando semana após semana neste site do RFID Journal Brasil, a melhor fonte de informação sobre tecnologias de RFID e Internet das Coisas (IoT, do inglês, Internet of Things) no Brasil e no mundo, há uma grande empresa de varejo que acaba de iniciar um teste significativo com RFID e que pode se tornar um dos maiores exemplos de uso no mundo em seu segmento de atuação.

Para as empresas fornecedoras que estão realizando este piloto, a notícia é muito positiva. Claro! Um novo negócio e de grande porte num momento em que o mercado ainda se encontra um tanto retraído e em fase de possível recuperação. E, para as empresas que concorrem com estas, a informação também deve soar positivamente e como um estímulo, já que demonstra que o mercado vai começar a sair de um período de estagnação – e até de declínio – para passar a ter um novo fôlego.

A empresa está testando a RFID como uma tecnologia para reduzir custos imediatamente, o que está em sua lista de necessidades emergenciais; ampliar mercado em curto ou médio prazos; e até expandir suas atividades para outros horizontes. Falta pouco, no entanto, para isto se concretizar, já que os testes estão avançando rapidamente e justificando o investimento pelo seu potencial de retorno quase que imediato.

Se investir no futuro é algo a se decidir hoje, fica óbvio que esta empresa está no caminho correto. Afinal, como eu já disse tanto aqui neste site como em minhas palestras, nenhuma crise dura para sempre e quem espera demais pode ser surpreendido pelo avanço veloz de um concorrente mais ágil, ousado e preparado. Fique atento.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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