Notas do Editor

LIVE! teve brasileiros apenas como visitantes

Neste ano não houve o Pavilhão Brasil, que teria sua terceira edição, mas isto não impediu que os empresários tupiniquins prestigiassem o evento em massa

Por Edson Perin

11 de maio de 2016 - Em minha coluna mais recente, comentei que sempre que me perguntam se o mercado brasileiro de identificação por radiofrequência (RFID) também está sendo impactado pela crise, respondo que ninguém está imune à tempestade, pois estamos todos no mesmo barco. Mas a inovação e a criatividade continuam em alta entre as empresas do Brasil que criam soluções de RFID, mesmo quando comparadas com as centenas de estrangeiras que expuseram no RFID Journal LIVE! 2016, realizado nos dias 3 a 5 de maio, em Orlando, nos Estados Unidos.

Vi muitas novidades no LIVE!, seria impossível não reconhecer. Mas, garanto: no Brasil as empresas têm coisas para mostrar que teriam chacoalhado o mercado internacional de RFID. Algumas destas novidades estão em matérias que já publiquei recentemente, mas há outras que nem saíram do forno ainda – e, por isso, ainda não posso mencionar, a pedido de seus criadores.

Para começar com uma inovação brasileira que não foi mostrada no LIVE! 2016, a startup brasileira SmartX acaba de anunciar uma solução empresarial com base nas tecnologias RFID passiva e ativa. Por meio do uso de drones ou UAV (do inglês, unmanned aerial vehicle ou veículo aéreo não tripulado), em parceria com a empresa norte-americana Skyfire Drones, a SmartX tornou possível o desenvolvimento da ferramenta voadora de rastreamento, localização, captura de dados telemétricos e controle de inventário em grandes áreas, inclusive ao ar livre (leia mais em Startup cria sistema IoT com uso de drones).

Devido ao excelente relacionamento que tenho com os empreendedores Carlos Ribeiro e Pedro Moreira, fui convidado a visitar a filial que a empresa abriu em Orlando para ver de perto, junto com um grupo selecionado de brasileiros, como funciona a solução. Um convênio com a incubadora da Universidade Central da Flórida está permitindo à SmartX dar um grande salto no mundo da identificação por radiofrequência. Sim, vi outros dois drones com RFID na área de exposição do LIVE! e até os fotografei, mas não podemos deixar de lado a criação brasileira, já em testes nos Estados Unidos.

Outra iniciativa tupiniquim não divulgada no maior evento mundial de RFID e IoT (internet das coisas) se relaciona ao setor de saúde e nasceu graças a dois brasileiros – um especialista em RFID e um médico –, que se tornaram sócios e criaram soluções completas para ambientes hospitalares. Uma das soluções, a SurgiSafe, foi o ponto de partida para a criação da Identhis, empresa especializada em soluções de tecnologia para o setor de saúde, um spin-off da brasileira Synergy (leia mais em Saúde ganha com empreendedorismo brasileiro).

Estes empreendedores – o engenheiro Maurício Strasburg e o médico Paulino Souza Neto – já desenvolveram soluções para diversos problemas que o setor de saúde enfrenta dentro e fora do Brasil, especialmente nas salas de cirurgia. São gazes e instrumentos cirúrgicos com tags RFID, mesas leitoras que identificam os objetos que estão por cima delas, além de um aparelho inovador para higienizar as mãos. Todos esses objetos são equipados com a tecnologia de identificação por radiofrequência em UHF, o que os difere de outras iniciativas com base em outras frequências.

Gostaria de deixar claro que não quero, com esta coluna, desmerecer o trabalho feito por empreendedores de outros países e muito menos minimizar o excelente papel exercido pelo RFID Journal LIVE!, que funciona como um grande encontro da comunidade internacional de desenvolvedores de RFID e também de usuários finais atuais e futuros. Quero apenas fazer repercutir um pouco dos esforços de quem trabalha duro no Brasil para, entre as tempestades, continuar navegando.

As ondas de rádio UHF, HF (alta frequência), LF (baixa frequência), Bluetooth, Wi-Fi etc. têm transformado a identificação dos objetos e seres em todo o mundo e também no Brasil. Não podemos esquecer ainda do importante papel exercido por empresas líderes neste segmento no país como a estatal Ceitec, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e a HP Brasil, que têm impulsionado a evolução tecnológica da RFID por aqui.

Com tantas iniciativas locais de alto nível, foi uma pena não termos visto brilhar o Pavilhão Brasil no LIVE! 2016, para dar – em forma de oportunidade de oferecer suas soluções ao mercado internacional – um merecido “muito obrigado” a tantos brasileiros empreendedores. Vamos torcer, então, para as coisas melhorarem no país para conseguirmos projetar estas empresas para todo o mundo e com toda a força em 2017.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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