Notas do Editor

Reflexões sobre RFID e NRF Big Show

A RFID recebe cada vez mais atenção de varejistas, mas não tanto quanto merece e muitas empresas ainda não entendem como a tecnologia pode melhorar os negócios

Por Mark Roberti

26 de janeiro de 2016 - Na semana passada, participei da National Retail Federation Big Show. Participo do evento anualmente nos últimos 15 anos, para entender como os varejistas enxergam a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID). Neste ano, houve um pequeno aumento perceptível no interesse. Em 2014, os participantes encheram uma sala com cerca de 200 lugares para ouvir um painel de discussão sobre RFID no varejo, patrocinado pela Avery Dennison. Na conferência deste ano, a Avery patrocinou um seminário semelhante realizado na mesma sala e estimo que havia cerca de 300 pessoas presentes, algumas sentadas no chão por falta de cadeiras.

Como nos anos anteriores, as empresas de RFID exibiram uma série de soluções, entre elas a própria Avery Dennison, Checkpoint Systems, Impinj, Smartrac, Tyco Retail Solutions, Zebra Technologies e a novata Boing Tech, fornecedora chinesa de tags para varejo. Houve um fluxo constante de visitantes a estas salas e, em geral, parecia que eles estavam um pouco mais bem informados sobre RFID.

Mas, no frigir dos ovos, os que mostraram interesse em RFID foram uma pequena fração das 34.000 pessoas presentes no evento. Dada a recente onda de matérias da mídia de negócios e da mídia em geral sobre como os varejistas estão se beneficiando da RFID, eu pensei que as sessões teriam 10 vezes esse atendimento e que as salas estivessem cheias de fornecedores de soluções sendo esmagados por varejistas clamando para saber como podem obter a sua precisão do inventário em até 95% ou mais, melhorar operação de lojas e aumentar as vendas. Mas este, infelizmente, não foi o caso.

Aqui está a grande ironia do Big Show, já que talvez 75% da tecnologia que está sendo exibida não pode entregar valor se o varejista não tiver todos os itens com tags de RFID. Como nos últimos anos, muitos vendedores estavam empurrando soluções de análise de dados. Mas os dados do inventário dos varejistas têm apenas 65% de precisão. Não há muito valor numa análise de dados ruins.

Os dois outros grandes temas deste ano foram analisar o comportamento do cliente dentro da loja (a forma como os varejistas online capturam informações sobre os interesses dos clientes) e os clientes envolvidos em formas novas, inovadoras e divertidas. Mas aqui, novamente, um varejista teria de ter RFID para ser bem-sucedido. Um parceiro no estande da Microsoft estava mostrando um sistema infravermelho para identificação de um sapato específico. Quando um cliente pega o sapato, digamos, na prateleira número oito, o sistema reproduz um vídeo sobre o calçado e registra interesse dessa pessoa para análise posterior.

Esse sistema pode funcionar em um estande de exposição, mas considere o que provavelmente aconteceria em uma loja de varejo: um cliente pode pegar um sapato na prateleira de oito de outra prateleira e, em seguida, colocá-los de volta no lugar errado. O sistema não teria nenhuma maneira de saber o que tinha acontecido se os sapatos não fossem identificados por RFID. Como resultado, o próximo cliente que pegasse o sapato na prateleira veria o vídeo sobre o sapato errado.

Um dos parceiros no estande da Hewlett-Packard apresentou um quiosque interativo com RFID para identificar um sapato colocado por um cliente interessado. A exposição interativa mostrou informações sobre esse sapato e permitiu que o cliente selecionasse as cores e tamanhos diferentes, como faria em um site. Poderia, então, comprar o sapato certo lá no quiosque. Mas vamos considerar sistemas de fidelização de clientes em lojas de varejo: um cliente seleciona um item para comprar e ouve que não há em estoque (porque o varejista não usa RFID em nível de item para gerenciar inventário e, portanto, não tem uma vaga ideia do que está empilhado no estoque). O varejista, assim, gasta um monte de dinheiro para atender um cliente que, em seguida, se desilude.

As empresas, claro, mostraram soluções RFID que as empresas estão usando no nível de item para obter dados de inventário de alta precisão. Infelizmente, muitos varejistas ainda não entendem que precisam resolver os seus problemas de precisão do inventário antes que possam passar para análise de dados e fidelização do cliente.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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