Notas do Editor

Menos furtos e melhor experiência

Entidade de varejo e empresários apresentam números alarmantes sobre o furto de mercadorias, mas desconhecem soluções com tecnologia RFID

Por Edson Perin

14 de dezembro de 2015 - Além da crise econômica e política que o Brasil atravessa e uma possível redução das vendas neste fim de ano, o comércio de um modo geral tem outros desafios para enfrentar, como o furto de mercadorias. Nos últimos dias, tive acesso a pelo menos um estudo de entidade representativa do segmento sobre este assunto e conversei com dois empresários que revelaram um índice de 2% a 5% dos estoques referente à quantidade de produtos perdidos ou sumidos.

O que chamou ainda mais a minha atenção, além da grande quantidade de furtos ou perdas de produtos (eu achava bastante razoável algo acima de 0,5% e abaixo de 1%), foi a ausência de uma visão clara sobre como evitar este problema com base no uso de tecnologias ou, especificamente, de identificação por radiofrequência (RFID).

Claro que este nível de ocorrências de “sumiços” gera uma queda importante de faturamento, mas também pode impor aos funcionários das lojas uma busca inglória por produtos que, na verdade, não existem mais, embora ainda haja registro de suas virtuais existências nos sistemas de gestão (ERPs). Isto gera uma nova categoria de produtos: as “mercadorias fantasmas”, que estão apenas nos sistemas, mas não no mundo real.

Quantas horas acumuladas ao longo de um mês podem ser perdidas em busca, por exemplo, de um par de calçados que não existem mais na cor e tamanho desejados, porque foi subtraído sem passar pelo caixa de pagamento? Quantas outras vendas não serão realizadas por falta de um vendedor disponível? Quanta receita deixará de ser gerada pela outra perda de receita – ou seja, o furto? Parece um efeito em cascata: um prejuízo sendo somado a outro e a outro e a outro.

Quando se fala de solução contra furtos de produtos em lojas de varejo, a primeira coisa que vem à memória dos empresários são as populares etiquetas EAS (Electronic Article Surveillance), que precisam ser retiradas com uma ferramenta especial após as mercadorias serem pagas no caixa. Elas são boas contra furtos, mas impedem a implantação de um self check-out, por exemplo. Por isso, as EAS não são mais tidas como soluções únicas, porque entregam muito pouco de benefícios comparadas a um sistema RFID.

Um exemplo dessa substituição (ou soma) do EAS por RFID foi descrita recentemente numa matéria sobre a varejista de jeans e roupas Lucky Brand. A Catalyst, fornecedora de sistema EAS no Reino Unido e empresa de tecnologia de varejo, desenvolveu uma solução EAS com RFID e a implantou na Lucky Brand. A ideia da Catalyst permite a um cliente escolher uma peça de roupa, saber mais sobre o item e determinar quais tamanhos estão disponíveis na loja ou pela internet (leia mais em Varejista usa tecnologia para vender mais).

Outra iniciativa com RFID divulgada em nosso site na semana passada mostra que há muito benefício com identificação por radiofrequência. A Ralph Lauren Corp. inaugurou oito provadores interativos baseados em RFID na loja New York Fifth Avenue. A empresa planeja instalar essas salas de prova em outras lojas, após a avaliação da sua eficácia em Nova York. Vale lembrar que, além da experiência inovadora aos clientes, a ferramenta combate furto de mercadorias também (leia mais em Polo Ralph Lauren instala provadores inteligentes).

Exemplos no Brasil? Sim, há vários. Um deles é o da Brascol, que reduziu a taxa de furtos para zero com RFID (leia mais em Um bom exemplo brasileiro para o mundo).

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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